Fora do espaço das demandas produtivistas, que visam reduzir direitos trabalhistas visando ampliar a carga de trabalho dos trabalhadores, em troca de maior acúmulo de lucros, o qual pretensamente seria benéfico a todos, pelo também pretenso aumento do PIB gerado, a selvageria proprietária desmedida no Brasil ainda guarda espaço para a existência de trabalho análogo a escravidão.
Tal constatação pode ser verificada na lista de empregadores envolvidos com trabalho escravo, divulgada pelo site do Estadão, com base em dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a qual pode ser acessada aqui.
Ao se acessar a lista, interessante se observar que o local de maior predomínio dessas ocorrências está em Fazendas. Dos 576 empregadores descritos na lista, dentre pessoas físicas e jurídicas, destaca-se a atividade rural.
Isso demonstra que a presença do Estado é essencial para o controle e a garantia dos direitos trabalhistas mínimos, nos moldes atuais, os quais, ao menos tendem a evitar maiores ocorrências de situações análogas à escravidão.
Mas isso não quer dizer que a situação dos trabalhadores no Brasil seja das melhores. Na obra "Os Batalhadores Brasileiros", o pesquisador e professor Jessé de Souza demonstra como a divisão de classes no Brasil relega à grande parte da população, um cenário laboral de "super exploração e relações laborais precárias".
É a classe chamada de "nova classe média", a qual está situada entre a classe média e a classe dos excluídos, cuja ascensão de renda lhe garantiu acesso a certos bens de consumo, sem uma contrapartida em serviços básicos do Estado, com um justo retorno pelos impostos pagos e por todo o seu esforço laboral nos resultados da economia.
Para essa classe, qualquer discurso de produtivismo não passa de mais uma tentativa de lhe retirar benefícios básicos, sobrecarregando ainda mais a precarização de sua condição laboral e tendo a agravar sua condição humana.
Isso é insustentável, não só por afetar a qualidade de vida de milhões de brasileiros, mas por representar um mecanismo perverso de contínua concentração nas mãos de 1% da população, a qual desfruta de 50% do PIB brasileiro. E viver num país onde há tamanha concentração de renda, com impostos altíssimos por outro lado, sem uma contrapartida adequada, não é viver em condição análoga à escravidão?
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