Eu estava refletindo sobre a ideia do surfista prateado. Quem
já assistiu aos filmes deve se lembrar da história. Uma das coisas
interessantes no surfista prateado é essa questão da ligação dele com a prancha
(poder de ação). Simbolicamente, todos temos pranchas de micropoder (poucos de
macropoder como ele). O importante é descobrir quais são as suas pranchas.
Tem pessoas que tem muito poder, poder físico mesmo, poder
por estar em cargos do Estado, por estar ou ter uma profissão de destaque ou
também por ter muito dinheiro, por herança ou por ter conseguido isso profissionalmente,
adquirir um patrimônio muito grande.
Essas poucas pessoas têm uma prancha com muitos poderes,
igual à prancha do surfista prateado. Então
a gente pode imaginar assim, o que essas pessoas fazem com esses poderes? Essa
é uma reflexão que eu gostaria de fazer com vocês aqui nessa análise.
Esse é um assunto profundo existencial e espiritual profundo,
tá pessoal? Porque diz muito respeito ao
uso de nossas capacidades e possibilidades na construção de um mundo melhor. Então,
claro que você já tem que ter uma prancha?
Uma prancha, mesmo que mínima (enquanto micropoder existencial), não lhe
retira do jogo, mas apenas o coloca no início da sua missão existencial.
No caso do surfista prateado, ele tem uma prancha poderosa, capaz
de destruir planetas. Mas, paradoxalmente, ele é um servo submisso a outro
senhor (Galactus), que o controla e aufere os benefícios egoísticos de sua ação.
Na vida real, quantas pessoas têm macropoderes, mas são subjulgadas,
servas a outros senhores, desviando-se totalmente das bençãos que as fizeram
possuidores dessas capacidades e possibilidades.
É como se uma grande vantagem o colocasse em correntes
invisíveis ou gaiolas douradas, contra as quais não se consegue lutar ou evitar.
Não necessariamente são processos inconscientes, pois tais pessoas têm acesso a
todos os tipos de informações, mas se negam a enfrentar seus grilhões, por
comodismo, egoísmo e hedonismo.
Então, vem essa prancha, esse poder de ação (Dharma), mas ele
não é colocado em prática para o melhor em termos cosmoéticos (Ética Universal). Não vou fazer o teaser do filme, mas somente ao
final ele consegue entender o real significado de seu poder e o coloca em
prática, mesmo que, para isso, sua abnegação existencial tenha o preço
derradeiro para si.
Vendo isso, não só em cenário nacional, mas vocês imaginam os
Estados Unidos, com todo o seu poder econômico e imperial, com toda a sua
potência já conquistada, com toda a riqueza acumulada, ainda fazendo guerra por
recursos alheios? Sem dúvida, esse é o maior exemplo do uso indevido da prancha
do macropoder, contra todo o restante da humanidade.
Há um processo de ampliação de consciência em curso, a
maioria, mesmo nos EUA, estão contra a Guerra contra o Irã (de 2026, se você
ler isso no futuro). A consciência individual é uma grande prancha a ser conquistada,
ela é um micropoder que não muda o todo, mas o coloca em rota de transformação
para o futuro. E eu acho que no filme do próprio Surfista Prateado a gente
percebe muito isso, como a aquisição de consciência provoca uma mudança de
curso imediata.
E o que você faz com os micropoderes em sua vida. Eu sempre olho essa questão e reflito sobre ela.
De tudo o que eu posso fazer, sempre o foco é aquele básico da Psicanálise para
auferir o grau de sua saúde mental: você está fazendo mal a si ou a outrem? Se
não, ao menos, seus micropoderes não estão sendo usurpados para o caos. Esse
seria o primeiro grande desafio de cada um. Não alimentar o caos, sob
qualquer pretexto.
O segundo desafio no
uso dos micropoderes é mais difícil do que o primeiro, porque requer a ação
dirigida ao melhor. Não há condições para se recriar o “Paraíso em Terra”, a
missão divina que deveríamos compartilhar espiritualmente, pois o retorno ao
Éden não é um direito, mas sim um dever a ser construído. Porém, podemos avançar
para quem, em nossa volta, as coisas sejam cada vez melhores e mais positivas.
Então o que se percebe nessa discussão aqui que eu quero
trazer para vocês, é que a gente está passando por um processo que talvez, num
sentido maior, espiritual, existencial ou filosófico, a humanidade tenha chego
nesse momento de escolhas complexas e opostas. Ou fazemos o dever de casa, ou
seguimos para a Era de Thanos, quando deixamos o dever de casa ser feito pela
Seleção Natural em curso.
De certa maneira, em termos macro, já não é mais possível
evitar-se as consequências do que já
está por vir, pois há escolhas feitas pela maioria, mesmo que inconscientemente,
a serem vivenciada enquanto aprendizagens.
Ter micropoderes não é garantia de boas escolhas por si. Nós
podemos fazer péssimas escolhas e usar o que temos para amplificar erros
coletivos. Quando um grupo, uma massa de pessoas, milhões de pessoas fazem
escolhas que não são as mais adequadas, até mesmo erradas, todos receberão suas
consequências, queira-se ou não.
A Karma da aprendizagem pela “dor” também se faz necessário,
quando ele é demandado, pelo uso indevido de nossos micropoderes. Então, tem
coisas que por mais que a gente não entenda, que a gente não aceite, não
concorde (eu simplesmente não concordo com qualquer processo das guerras), elas
ocorreram no passado, estão a ocorrer e ainda ocorrerão no futuro deste século XXI.
Por mais que a tecnologia avance, seu uso na área militar
parece drenar recursos que poderiam trazer tempos de paz duradouro entre as
nações. O processo evolutivo dessa
situação atual gerará, no futuro, uma aceleração da história, a trazer
consequências mais rápidas, desfechos trágicos e aprendizagens necessárias.
Então a aprendizagem pela dor também é uma aprendizagem
válida. Há um direito espiritual ao livre padecimento, a partir das escolhas.
Ter consciência aqui, é poder fazer escolhas melhores e assim, superar esse
processo interprisional, passo a passo.
Então toda ação individual, tudo tem repercussões e talvez
seja necessário um olhar mais amplo, com uma racionalidade também mais ampla,
capaz de entender a Era de Thanos (Século XXI).
A ação profilática individual requer que sua mente faça uma
higiene ética diária, opte-se por escolhas mais coerentes, construtivas, em conformidade
com os avanços dos seus micropoderes. Mesmo que a coisa toda esteja
errada. Mesmo que a coisa toda esteja
caminhando por um lado errado da história. O importante é que a gente faça as
escolhas melhores, no turno contrário das massas ensandecidas.
As escolhas erradas da grande massa das pessoas não irão nos
levar a uma extinção da vida humana, mas a uma seleção natural que já
começou. Talvez a gente já viva isso
há tempos no Brasil, todos os tipos maximizados de violência, mas cada vez mais
essa questão da seleção natural, de um processo evolutivo de seleção natural em
curso, será trazido à tona neste século.
Para mim, o marco zero desse século é Pandemia do COVID, iniciada
ao final de 2019. Assim como o século XX
começou com a Gripe Espanhola, a Era de Thanos do Século XXI começa com o Covid.
E a gente percebe que realmente o que existia até antes, até 2019, mudou. Hoje, em 2026, é outro mundo. Não é mais
aquele de 2019. É um outro mundo, é uma
outra realidade.
E para onde a gente vai? Não sabemos, apenas sabemos que uma
aceleração do processo de evolução da humidade, por uma seleção natural
destrutiva, está em curso.
Para a maioria das pessoas, será inexorável vivenciar as
consequências deste processo em curso. Por mais que não se concorde com as
escolhas, a maioria está dirigida, mesmo que inconscientemente ao caos.
Voltando ao Surfista Prateado, sua servidão ao caos não o
impediu de seguir nesse curso trágico, mesmo sob o manto da máxima tecnologia
ao seu dispor. A destruição estava acima de sua capacidade de suplantar sua submissão
mental ao erro.
Sua mudança de perspectiva e aquisição de consciência, ao
final, foi resultado de um choque de realidade. Seu delírio foi quebrado e consciência
do real foi reestabelecida. Com isso, ele viu o alcance de seus macropoderes,
capazes de superar até mesmo a que o dominava.
Em termos de humanidade, a falta de racionalidade ainda
cobrará um grande preço nessa Era de Thanos e a seleção natural será implacável
com os próprios adoradores do caos. Mas a aprendizagem pela dor, em certo
momento, trará à tona um novo choque de realidade, o delírio coletivo será
quebrado e uma nova Era transcendente será iniciada, após e apesar de tudo
isso.
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