Nascimento
Condenado é a decorrência verificada de uma concepção não desejada ou esperada,
em situações nas quais os pais e a família não apresentam condições materiais e
psicológicas de suportar a criação, em países cujo acesso aos serviços públicos
essenciais (Saúde, Educação, Segurança, Justiça e Seguridade Social) não são minimamente
garantidos pelo Estado.
Na ocorrência do Nascimento Condenado,
caberá ao indivíduo nascido o dever de suportar em seu desenvolvimento humano a
omissão dos pais, da Sociedade e do Estado, sem uma contrapartida de direitos a
serem garantidos.
No Nascimento Condenado, as chances
estatísticas de superação dessa condição humana adversa são remotas e
contrárias ao conjunto de indivíduos nascidos nessa situação. Nesse sentido,
dentro de uma curva estatística de normalidade dos dados, quando se verifica
que 75% dos nascidos em uma determinada localidade não terão suas necessidades
de desenvolvimento atendidas por pais, família, sociedade e Estado, pode-se
hipotetizar a ocorrência do nascimento condenado dentre todos os nascidos.
Abandonadas à própria sorte, tais
crianças terão seu futuro incerto. Sua adultidade não será vivenciada em
igualdade de oportunidades culturais de desenvolvimento comparadas aos demais adultos,
que tiveram toda a assistência necessária ao seu desenvolvimento.
Assim, suas oportunidades de progresso
existencial não serão as mesmas, apesar de sua isenção de responsabilidades
pela condenação recebida ao nascer.
Correntes espiritualistas retiram a
responsabilidade dos pais, da família, da sociedade e do Estado por essa
ocorrência, atenuando-a a partir da antiga
ideia do karma (dívidas espirituais a serem pagas) e do dharma (missão de vida ao
pagamento), disseminadas em várias formas de religiosidade. Assim ocorre a exemplo
na Índia, berço dessas ideias. Por outro lado, as religiões acabam por ser a válvula de escape de manutenção dos "nascidos condenados" entre a classe dos excluídos ou dos batalhadores explorados, a exemplo do que ocorre no Brasil atualmente (clique aqui para ler mais).
Tais ideias religiosas servem bem ao propósito de
governos corruptos, ao controle social, à opressão da concentração de renda de
poucos sobre muitos, desprezando a real noção de que o sofrimento e o nascimento
condenado não são decorrências do "karma", mas sim, da desigualdade vivida em face das classes ricas e média, que detém os que
tem privilégios do capital e das rendas do Estado.
Uma visão da sustentabilidade pressupõe que é dever do Estado educar, orientar,
auxiliar e fornecer condições materiais ao planejamento familiar consciente,
para que o direito de conceber somente seja exercido quando o direito ao
desenvolvimento existencial do concebido seja possível. Ou, quando isso ocorra
sem o planejamento necessário, que os reais condenados não sejam a criança, mas
o Estado, que passam então a ter o dever de arcar com todas as
necessidades de desenvolvimento da criança, devendo ampliar os impostos dos mais ricos para arcar com tais deveres.