No mesmo dia em que um dos maiores bancos do Brasil anunciou seu maior lucro histórico no trimestre (4 bilhões de Reais), a reportagem mencionada acima demonstrava que os bancos haviam demitido 7.000 funcionários. O que isso quer dizer?
Isso significa um modelo de capitalismo sem limites, uma proposta de vida em sociedade, economicamente organizada, perniciosa e tendente ao desequilíbrio, uma vez que as riquezas são acumuladas nas mãos de poucos acionistas, proprietários dos bancos.
Não há sustentabilidade nisso, pois, o lema da produtividade em nome da acumulação dos lucros e da riqueza tende a gerar danos individuais aos trabalhadores, resultando em estresse funcional para cumprir metas e mais metas, acúmulo de tarefas e responsabilidades, cobranças indevidas e danos físicos devido ao esforço repetitivo.
Riqueza assim acumulada faz o bem para poucos e trás danos a muitos e isso não pode ser aceito num Estado Democrático de Direito.
Não se trata de romper regras da livre iniciativa, isso deve ficar bem claro. Mas isso não significa que o Estado deva calar-se em face de danos às pessoas. Lucros desmedidos que externalizam problemas trabalhistas devem ser alvo de limitações por parte do Direito do Trabalho. Elas já existem, mas sua aplicação é tênue em face do poder da engenharia financeira a serviço dos excessos do capitalismo.
Outra coisa evidente é a demissão daqueles com maiores salários, para contratação de jovens com menores salários. Isso é uma prática antiga, massa ainda colocada em ação, ainda mais agora com as demandas de aumento real dos salários, isso ficou mais evidente. Aumenta-se a base e se demite os que estão acima dela, com isso, os lucros são mantidos e a distância entre os mais ricos e os demais vai aumentando e se cristalizando.
Isso é refletido nos avanços obtidos em países de renda média, no qual os avanços sociais tende a se estabilizar em certo patamar, o qual não é mais transponível, ficando as pessoas então em uma situação intermediária, entre a situação vivida nos países desenvolvidos e aquela dos países em desenvolvimento.
Para mudar isso, a solução é a imposição de limites à usura, expressa em lucros desmedidos e exorbitantes, como se observa no Brasil, dever do Estado Democrático de Direito, cuja premissa constitucional é erradicar a pobreza e promover o bem-estar de todos.
Fonte para entender mais:
Acessada em 02/11/2013.