Capitalismo Insaciável: o exemplo das empresas de FastFood

Em pesquisa realizada nos EUA, observou-se que o CEO, executivo a comandar uma das maiores redes de fastfood do mundo, "ganha salário 1.196 vezes maior do que atendente", os quais recebem piores salários do mercado americano. Vendendo alimentos de qualidade duvidosa, recheados com miúdos de animais e variados produtos químicos, além de sódio, gordura e açúcar em quantidade elevada, tais empresas representam o modelo insustentável e insaciável de lucros, da sociedade de consumo atual.

Como tudo isso funciona? Lucros altíssimos concentrados nas mãos poucos de acionistas, que por sua vez pagam salários altíssimos a executivos, cuja atuação é exclusiva para a gerar mais e mais lucros, independente da forma como esses são produzidos, na exploração dos empregados mal-remunerados e na venda de produtos alimentares duvidosos à saúde humana, incentivados por uma intensa campanha de marketing, voltada a criar um valor de modernidade, felicidade e pertencimento ao público jovem.
 
Como resultados, há a concentração de renda bilionária aos acionistas dessas empresas, o pagamento de salários altíssimos aos executivos, para que atuem na maximização dos resultados, em contrapartida, à exploração da mão-de-obra, assim como aos potenciais prejuízos à saúde, de quem se alimenta com esses produtos.
 
Os custos sociais no longo prazo são em termos de subempregos e danos à saúde, gerando ao Estado (e a todos que pagam impostos) o dever de arcar com essas consequências no futuro, em termos de seguridade social e assistência à saúde, enquanto os lucros são privatizados no presente.

Em termos de engenharia financeira, tais ocorrências seriam as famosas externalidades, fora do âmbito da responsabilidade civil dessas empresas, mas dentro dos deveres do Estado de arcar com suas consequências futuras, socializando assim, os custos e subsidiando a riqueza de poucos.
 
Assim, tudo isso acaba por se demonstrar insustentável, cabendo ao Direito atuar sobre essas ocorrências, estabelecendo limites à exploração e mão-de-obra, a exemplo do que aconteceu no Brasil, no qual uma dessas empresas foi obrigada a respeitar os parâmetros mínimos de remuneração.

Por outro lado, há que se iniciar um processo de controle legal da qualidade dos alimentos vendidos nesses estabelecimentos, estabelecendo os limites na adição de açucares, sódio e gordura e produtos químicos a tais alimentos. Além do direito à informação clara e específica, para que o consumidor possa saber exatamente que, naquele maravilhoso "nugget" há partes nada nobres do frango, tais como miúdos e tudo o que possa ser aproveitado.
 
Do ponto da auto-regulamentação individual das condutas humanas, se você que iniciar um caminho pela autossustentabilidade, não compre, não consuma, não indique e esclareça aos demais sobre a insustentabilidade dessas empresas de FastFood. 
 
Veja a reportagem publicada pelo UOL, na íntegra:
 
CEO do McDonald's ganha salário 1.196 vezes maior do que atendente
 
Um relatório divulgado pelo site de finanças pessoais NerdWallet revela que um CEO (diretor-executivo) do McDonald's recebem US$ 9.247 (R$ 21.268) por hora de trabalho. O valor é equivalente a 1.196 vezes a remuneração paga aos atendentes que ganham US$ 7,73 (R$ 17,77).
O documento mostra que as redes de fast food e empresas de varejo possuem as maiores lacunas entre os salários pagos a diretores e o restante dos funcionários.
Um atendente, por exemplo, precisaria trabalhar por quase quatro meses para receber o valor equivalente ao salário pago por hora a um CEO.
Contatado pelo UOL, o McDonald's Brasil informou que não se posicionará sobre o assunto por se tratar de um levantamento realizado fora do país. 
 
Para comparar as disparidades, o NerdWallet elaborou um ranking com as dez empresas que pagam os maiores salários a seus CEOs. O McDonald's lidera a lista e o Starbucks aparece em segundo lugar. Logo após estão Dollar General, Gap, TJ Maxx, Target, Walmart, CVS Caremark, Best Buy e AT&T Wireless.
Considerando todas as empresas, a remuneração média paga por hora a um CEO fica em US$ 7.334 (R$ 16.868). Já o salário pago aos atendentes/vendedores é de US$ 8,73 (R$ 20). O cálculo foi obtido dividindo-se o salário total por 60 (horas trabalhadas por semana) e multiplicando por 50 (semanas trabalhadas por ano).
 
Funcionários de redes de fast-food como McDonald's, Burger King, Pizza Hut, Subway, Wendy's e KFC realizaram, na quinta-feira (5), protestos e greves por salário mínimo de US$ 15 (cerca de R$ 35) a hora em várias cidades norte-americanas.
"Enquanto as corporações se beneficiam com lucro recorde, os trabalhadores mal conseguem sobreviver. Muitos precisam recorrer à assistência social, apesar de terem um emprego", disse o Fast Food Forward, um dos grupos envolvidos na manifestação.