Produtivismo Capitalista: a insustentável concentração de riquezas e distribuição de obrigações

Um dos discursos do capitalismo selvagem e mais agressivos contra a qualidade de vida das pessoas, assim como seus efeitos nocivos na acumulação de renda dos mais ricos, chama-se "produtividade". Por meio dela, exige-se mais e mais do trabalhador, concentram-se responsabilidades, obrigações, trabalhos, em troca da maiores lucros a quem detém o capital.

O lema da "produtividade" é vendido como um "valor" de modernidade, de produção de riquezas e avanço do PIB, como se gerar riqueza num país fosse a única missão essencial e importante a ser conquistada para todos. Em economês, esse discurso é vendido tanto pela direita quanto pela esquerda, interessada em manter a riqueza nas mãos dos seus sócios capitalistas, os "amigos", aos quais se permite acumular riqueza em nome do livre mercado, no caso da direita, ou do bem comum, no caso da esquerda.
 
No caso da produtividade brasileira, a culpa é sempre da baixa escolaridade do trabalhador e sua "ociosidade", o qual deve ser "ensinado" a trabalhar mais, produzir mais e assim, atender à "mais valia" do senhor do capital, em nome discurso voltado ao aumento do PIB. Para tanto, o lema da produtividade apela à redução dos direitos trabalhistas, das salvaguardas mínimas ainda existentes à dignidade do trabalhador, o que permitiria mais exploração, mais exigências e mais carga de trabalho.


Para entender bem, veja aqui notícia jornalística expondo claramente a ideologia sobre o assunto.



Para entender melhor como essa insustentável engenharia financeira se faz na prática: uma empresa tem dois funcionários, demite um deles e concentra suas atividades naquele que ficou contratado; logo, sua pretensa "produtividade" dobrada, eliminando uma possível "ociosidade" havida; mas o que interessa mesmo, é o lucro a maior que será produzido por essa manobra, concentrador de renda; para disfarçar, uma cenoura é dada ao empregado que fica, na forma de um bônus, um aumento de 20%, por exemplo. Nesse caso, o trabalhador deverá assumir 100% a mais de obrigações e receber 20% a mais por isso. Logo, o empregador acumula a riqueza da produtividade dos 80% restantes. E mesmo que esse aumento fosse de 80% ao salário, ainda assim, quem estaria sendo penalizado, a título da pretensa "produtividade" seria o trabalhador, pois a "mais valia" do empregador estaria aumentada, sem qualquer ônus, em 20%. 
 
No caso brasileiro, país em que o nível de estresse no trabalho é um dos maiores do mundo, o lema da "produtividade" pressupõe acentuar mais ainda essa exploração laboral, tornando cada vez mais insustentável o meio ambiente do trabalho, o que acaba por resultar em mais afastamentos e licenças ocupacionais, além da intensa precarização e rotatividade de mão de obra. Pergunta: como num país com pleno emprego, gastou-se 48 bilhões em seguro desemprego? Seria isso somente um indício de fraude na relações laborais ou um dado de intensa rotatividade de mão de obra? 
 
Tais dados prejudiciais já estão estatisticamente comprovados e podem ser somados às últimas estatísticas, que apontam um grande contingente de brasileiros "desalentados", com desistiram de busca um emprego, pela inexistência de condições razoáveis de trabalho e de remuneração.
 
Para o lema liberal, a produtividade é a regra do jogo dos mais fortes. Quem pode mais, trabalha menos, quem pode menos, trabalha mais. Cabe à pessoa o desforço necessário para vir a ser o rico, sendo sua força de trabalho o caminho competitivo para a pretensa vitória social. Esse mito liberal cai por terra em face dos dados atuais que apontam os EUA, um capitães dessa ideologia, como uma das nações atuais onde predomina as maiores taxas de desigualdade social, com os 10% mais ricos cada vez mais ricos e um alto índice de pobreza e precarização social, de parte da população.
 
Não há que se esquecer que a "produtividade", em torno das jornadas de trabalho de 14 horas, nas fábricas chinesas da Foxconn, aquela mesma que industrializa equipamentos da Apple, já provocou suicídios e levou a colocação de grades nas janelas dos prédios industriais. Tudo isso para produzir produtos com baixo custo e alto valor de mercado, gerando lucros astronômicos à Apple. Quem pagou esse custo? Resposta: a mais valia dos "escravos", quer dizer, operários chineses.



Dentro de um contexto de "sustentabilidade", enquanto paradigma de transformação social, a produtividade não pode ser considerada a matriz de mudanças para melhor em qualquer país do mundo. A qualidade de vida das pessoas é que está acima de tudo e o pretexto de crescimento do PIB não pode estar acima das pessoas.
 
Quer se falar em produtividade? Primeiro, há que se falar em melhorias nas condições do trabalhador, por exemplo, a redução das horas trabalhadas. Nesse caso, produtividade seria fazer em 30 h o que se faz em 40 h, gerando tempo livre ao trabalhador para outras atividades inerentes à sua vida, tais como lazer, exercícios físicos, convívio familiar, estudo.
 
Quer ser fala rem produtividade? Segundo, há que se falar na taxação dos lucros abusivos, das grandes fortunas e das grandes heranças, como forma de se garantir uma distribuição do PIB já existente e não produzir mais acumulação, que está concentrado nas mãos de poucos, conforme gráfico apresentado abaixo: