A Meca dos automóveis, Detroit, hoje é uma cidade em total decadência, com índices altos de insustentabilidade social, com 36% da população vivendo abaixo da linha de pobreza. A cidade que já representou produzir 50% de todos os veículos do planeta, em 1950, agora não tem rumos a seguir.
Há algumas coisas aqui a considerar sobre sustentabilidade nesta ocorrência, em relação às montadoras de automóveis e sua presença no modelo desenvolvimentista das sociedades.
O primeira deles é o foco na produção de veículos. Com o fenômeno da Globalização e a própria competição nacional entre as cidades, pelo status de receber a produção de automóveis em determinado município, as fábricas de automóveis passaram a representar um ideal de industrialização.
O primeira deles é o foco na produção de veículos. Com o fenômeno da Globalização e a própria competição nacional entre as cidades, pelo status de receber a produção de automóveis em determinado município, as fábricas de automóveis passaram a representar um ideal de industrialização.
Esse ideal de industrialização é vendido facilmente a qualquer governo, nacional, estadual ou municipal, o qual, em troca do "sonho da fábrica própria" de veículos, concede qualquer forma de inventivo fiscal, desonerando ao máximo tais investimentos.
Com isso, as montadoras lucram mesmo antes de instalarem suas fábricas. O leilão de uma nova fábrica, em algum país ou região, é altamente disputado nos bastidores do poder, onde clareza e interesse público na arrecadação de impostos são trocados pelo "sonho da fábrica própria" e, ao final, a certeza de mais poder e votos.
A segunda coisa a considerar é o "produtivismo" das fábricas que, para intensificar ainda mais os lucros, passaram a utilizar de máquinas automáticas ou até robôs em suas linhas de produção, divulgando isso como avanço na tecnologia, dispensando trabalhadores.
Outra forma de gerar lucros é terceirizar a produção. A montadora entra com o "barracão" somente e os direitos sobre patentes, marcas e projetos do modelo a ser produzido. As terceirizadas, cada uma em seu espaço do barracão, deverá contratar seus próprios funcionários e ali realizar sua parte no processo de montagem do automóvel. Com isso, mais uma vez são maximizados os lucros, pois os funcionários não são da montadora, sendo incluídos em outras categorias funcionais, com salários menores.
Outra coisa a considerar, analisando-se especialmente a decadência de Detroit, é que, quando há montadoras reunidas em uma mesma localidade, fica mais fácil aos empregados formar sindicados fortes e atuantes para lutar pelas prerrogativas dos trabalhadores. Isso aconteceu em Detroit. Para evitar isso, a estratégia do capitalismo é clara, dispersar para enfraquecer. Daí também uma das causas da mudança das fábricas.
Voltando-se à questão da Globalização, não só a busca por novos mercados e o barateamento dos fretes levaram as fábricas para a China ou para o Brasil, mas também a mão de obra mais barata, a proximidade do acesso a matéria prima barata (aços, resinas), a baixa exigência de qualidade (vide ABS e Air-bag no Brasil), assim como a liberdade de se formarem oligopólios de preços. Quanto a isso, Detroit nada pode fazer.
Assim, tidos como o "cigarro do futuro", a ser reduzido em nossas vidas (quiçá com serviços de transporte publico de qualidade), os automóveis e suas mães, as fábricas, representam há tempos a matriz do bom e velho capitalismo selvagem. Apropriam-se de altos lucros, sem qualquer responsabilidade social. Ao molde de gafanhotos de riquezas, uma vez encerrado o ciclo, demitem seus funcionários (por vezes até na véspera do Ano Novo), fecham-se as fábricas e vão embora, a um novo local para se apropriar das riquezas de todos.
Isso é insustentável e o modelo de Detroit deve ser estudado para se evitar que isso aconteça em outros locais pelo mundo. Por exemplo, no Brasil, em 2013, foram produzidos mais de 3 milhões de carros. A previsão de produção para os próximos anos será de 6 milhões de veículos. Há sustentabilidade viária para tantos carros no Brasil? Economicamente, há renda suficiente para serem adquiridos tais carros, com os preços mais caros do mundo, sendo que a renda do brasileiro é baixa?
Na Europa, por exemplo, a tendência é a aquisição de veículos menores, mais baratos e com recursos simples.
Como mudar isso já?
a) Dê preferência a transportes públicos, caminhar ou ir de bicicleta quando possível;
b) Avalie se você realmente precisa de um carro em sua vida; você assumirá gastos que ainda não tinha (seguro, IPVA, licenciamento, estacionamento, combustível) e seu dinheiro investido na compra do carro irá se deteriorar com o tempo;
c) Se realmente precisar adquirir um carro, verifique a classificação do INMETRO quanto à eficiência energética (http://www.inmetro.gov.br/consumidor/pbe/veiculos_leves_2013.pdf); verifique também as avaliações de segurança (http://www.latinncap.com/po/) e dê preferência a veículos com airbag e ABS; além disso faça um teste básico e verifique o peso do seu carro e o divida pelo seu peso, assim você saberá quantos kilos seu carro deve carregar para lhe levar a algum lugar;
d) Não adquira carros novos, ao menos que queira pagar os seus sócios (montadora, governo e financeira), eles serão muito gratos a você; dê preferência a veículos seminovos, de procedência;
e) Se você só irá utilizar seu carro na cidade, um pequeno carro popular é o suficiente;
f) Abasteça com álcool e contribuía com as energias renováveis;
g) Dê carona ou combine um revezamento com seus vizinhos, colegas de sala ou de trabalho.
Na Europa, por exemplo, a tendência é a aquisição de veículos menores, mais baratos e com recursos simples.
Como mudar isso já?
a) Dê preferência a transportes públicos, caminhar ou ir de bicicleta quando possível;
b) Avalie se você realmente precisa de um carro em sua vida; você assumirá gastos que ainda não tinha (seguro, IPVA, licenciamento, estacionamento, combustível) e seu dinheiro investido na compra do carro irá se deteriorar com o tempo;
c) Se realmente precisar adquirir um carro, verifique a classificação do INMETRO quanto à eficiência energética (http://www.inmetro.gov.br/consumidor/pbe/veiculos_leves_2013.pdf); verifique também as avaliações de segurança (http://www.latinncap.com/po/) e dê preferência a veículos com airbag e ABS; além disso faça um teste básico e verifique o peso do seu carro e o divida pelo seu peso, assim você saberá quantos kilos seu carro deve carregar para lhe levar a algum lugar;
d) Não adquira carros novos, ao menos que queira pagar os seus sócios (montadora, governo e financeira), eles serão muito gratos a você; dê preferência a veículos seminovos, de procedência;
e) Se você só irá utilizar seu carro na cidade, um pequeno carro popular é o suficiente;
f) Abasteça com álcool e contribuía com as energias renováveis;
g) Dê carona ou combine um revezamento com seus vizinhos, colegas de sala ou de trabalho.
Fonte:
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,a-destruicao-do-sonho-americano-de-detroit,174417,0.htm Acessado em 07/01/2014.
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/operarios-da-gm-sao-demitidos-na-vespera-do-ano-novo?gclid=CMHSh_7R7LsCFSho7AodL10AkA Acessado em 07/01/2014.
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/arrecadacao-de-tributos-sobre-carros-sobe-14-em-5-anos Acessado em 08/01/2014.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/148500-carro-sem-frescura-conquista-europa.shtml
Acessado em 21/01/2014.
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/arrecadacao-de-tributos-sobre-carros-sobe-14-em-5-anos Acessado em 08/01/2014.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/148500-carro-sem-frescura-conquista-europa.shtml
Acessado em 21/01/2014.