Obsolescência Programada: Durabilidade e Psicologia contra a Sustentabilidade

Obsolescência programada diz respeito aos processos de projeto e produção de produtos, cuja durabilidade seja limitada ou reduzida no tempo, visando obrigar o consumidor a novamente adquirir novos bens em substituição aos anteriormente fora de uso.


Deve ficar claro que isso não reflete um defeito no produto, mas sim, uma opção pelo uso de materiais e processos que delimitem sua durabilidade a certas condições e uso. Paradoxalmente, a obsolescência programada permite o barateamento de certos bens, ampliando o acesso ao consumo de mais consumidores. Assim, somente haveria defeito se o produto não cumprir o tempo mínimo ou a quantidade de usos previstas na sua fabricação.

Dentre os bens de maior obsolescência programada, estão os produtos eletrônicos, com uma durabilidade média de três anos. Vide aqui para ler mais sobre o assunto.

Em termos de obsolescência programada, o descarte do produto é considerado uma externalidade pelas empresas, as quais não se responsabilizam pelo fim dado, se aquele bem será efetivamente reciclado ou descartado na natureza.

Como se sabe que os índices de reciclagem do chamado "lixo eletrônico" são baixos e que, muitas vezes, a grande presença de metais pesados nos componentes e circuitos eletrônicos desses produtos, pode contaminar a natureza, a obsolescência programada deve ser tratada diferentemente em termos de sustentabilidade.

Nesse sentido, o consumidor, ao adquirir um produto eletrônico deve ser altamente cuidadoso na escolha, procurando pesquisar sobre a durabilidade do mesmo, avaliando com outros consumidores, sobre a reputação da marca, a presença de selos ambientais nessa determinada empresa e seus compromissos de responsabilidade socioambiental.

Como nada é de graça, adquirir um produto com maior durabilidade tem um custo econômico de produção nele aplicado, pelo cuidado do fabricante no uso de materiais e no projeto de durabilidade. Nesses casos, o custo há que ser arcado pelo consumidor consciente.

Do ponto de vista da obsolescência psicológica, na qual demandas e desejos de inovação são criados mentalmente, estimulando a substituição de produtos quase idênticos, sem que a versão anterior tenha perdido sua funcionalidade, há mais facilidade em se posicionar sustentavelmente.

Basta, para tanto, que o consumidor consciente passe a optar pela ideologia da sustentabilidade ao invés da ideologia da imagem. Isto é, troque a sensação de bem-estar psicológico, causada pela posse do bem de última geração, pela sensação de bem-estar psicológico, por ser sustentável, defendendo abertamente a causa em suas ações sociais.

Para pensar: se todos trocarem de celular a cada 3 anos, em 60 anos cada ser humano terá usado 20 celulares diferentes; assim, em 60 anos serão 160 bilhões de celulares usados e descartados; a pergunta é, o que terá sido feito com eles e suas baterias?