Estatísticas apontam que o brasileiro trabalha, em média, até o mês de maio, somente para os impostos devidos. Isto é, o ganho de 5 meses, de seu esforço pessoal, é canalizado para o Estado brasileiro, o qual não lhe retorna quase nada em serviços públicos de qualidade. Agora um novo dado alarmante surge, os endividados gastam outros 59 dias do ano de seus ganhos para pagar juros.
Se esse indivíduo ainda possuir um carro, outros 30 dias de ganhos poderão ser retirados de seu bolso, em forma de seguros, manutenção, combustíveis.
Nessa conta, verifica-se que o brasileiro é um servo do Estado, dos Bancos e das Montadoras, sendo que nesta conta ainda não entraram gastos com planos de saúde, segurança particular e educação privada.
Naquele livro famoso, intitulado "Pai rico, pai pobre", o autor, Robert T. Kiyosaki, diz que cada um deve medir sua vida por quanto recebe por mês, depois de pagar tudo o que deve ao Estado, aos bancos e a outros credores. Essa seria a medida real de sua disponibilidade financeira, o quanto realmente recebeu.
No caso do brasileiro que trabalha até agosto para pagar todas as suas despesas, incluindo aí os gastos com carro e juros para rolar suas dívidas, a coisa complica, pois a conta não fecha, e novas dívidas podem ser contraídas.
Isso é insustentável e injusto. Um país que se situa entre as dez maiores economias mundiais oferecer aos seus cidadãos uma vida precária não pode ser considerado um Estado do Bem-estar Social. É um Estado da precarização social, impingindo aos indivíduos recorrer a seguridade social por mínimos questionáveis, ou alguém se arrisca a dizer, com seriedade, que R$ 70,00 de bolsa por mês acabou com a miséria humana?
Pode-se alegar que isso é melhor que nada. Não obstante, isso é um raciocínio falacioso, demagógico, para um país rico em recursos naturais, que prefere drenar recursos à manutenção de uma máquina estatal ineficiente e aos seus pensionistas privilegiados.
Mudar esse quadro não é fácil, requer mudanças estruturais sérias, alocação de impostos sobre o patrimonialismo e não sobre a renda, regulamentação do imposto sobre as grandes fortunas, o qual repousa na Constituição Federal desde a sua criação. Sugerido pelo parlamentar constituinte Fernando Henrique Cardoso, não foi regulamentado em 8 anos de sua mandato enquanto presidente. Outrossim, Luiz Inácio Lula da Silva também não o regulamentou em 8 anos de mandato de presidente, assim como também se omite sua sucessora do cargo, Dilma Rousseff.
Outros caminhos estão na revisão dos limites máximos de regalias de funcionários públicos graduados, valores das pensões pagas pelo Estado e os critérios para a sua concessão.
Aumentar os impostos sobre os bancos conforme sua usura também seria uma forma de tentar reverter o quadro de insustentabilidade econômica brasileira.
São todas medidas impopulares, pois afetam aos detentores do poder econômico, uma casta de privilegiados, que representa cerca de 1% da população, mas cujo poder de mobilização da mídia a seu favor, é grande. Para ler mais: clique aqui.