Desigualdade e Lucratividade: o Capitalismo sem limites e suas Falhas de Sustentabilidade

   Mais uma vez Freud parece ter razão. A patologia mental humana sempre está nos polos, nos seus excessos representados, por um lado, por uma lucratividade selvagem, apropriativa de grande parte da "mais valia" humana para gerar, por outro lado, uma intensa desigualdade social e sua acentuação, por completo direcionamento das vidas dos mais pobres à miséria e suas consequências decorrentes.



   Luciano Sobral, colunista econômico do Estadão, publicou dia 19/03 um interessante ensaio, intitulado: "Desigualdade, a bola da vez", no qual traça a atual quadro mundial, depois das crises financeiras originadas em 2008, cujo maior efeito foi acentuar a desigualdade (para ler, clique aqui).

   No mesmo dia, uma matéria no publicada no portal "Infomoney", destaca como a empresa brasileira AMBEV superou em rentabilidade nos EUA empresas como a Coca-Cola e a Pepsi Co (veja aqui).

   Esse é um sinal claro das falhas do Capitalismo, na sua permissividade legalizada em permitir a concentração da riqueza humana sem limites nas mãos de poucos. Tal modelo liberal, criado no século XVIII ainda é, apesar dos avanços do modelo do estado do bem-estar social, o grande balizador da desigualdade nas relações de trabalho e de produção no mundo.

   Daí o grande cerne da insustentabilidade ainda vivida no planeta, uma vez que, ao se permitir acumular riquezas sem limites, explorar trabalhadores ao redor do mundo e retirar da natureza indefinidamente elementos para a produção, estar-se-ia continuadamente produzindo desigualdade.

   A pergunta que resta: qual a finalidade de tudo isso? Seria esse o propósito da sociedade humana no planeta Terra? Qual o sentido existencial nessa configuração? 

   "Crescei-vos e Multiplicai-vos" é um lema religioso ultrapassado que, dada a devida localização histórica, decorre de um tempo e que não havia uma superpopulação mundial. Nos dias de hoje, tal lema relega aos mais pobres, somente mais pobreza e a necessidade de se submeter ao Capitalismo e seus acumuladores e exploradores de riquezas. Para entender mais, leia nosso outro post, sobre Nascimento Condenado.

   Talvez o papel da religião na estruturação social seja esse mesmo, como já dizia Gramsci, manter o estado de opressão e exploração.

   Apesar das críticas dos liberais, o caminho está na cobrança cada vez mais de impostos sobre os mais ricos pelo Estado e, no efetivo direcionamento desses recursos aos mais pobres como sugere Amartya Sen, em segurança, saúde e, especialmente em educação.

O Estado também é devedor de uma política de planejamento familiar plena, hábil a evitar que vidas sejam condenadas a servir aos acumuladores de renda. Dentro de um jogo de cartas marcadas, são os ricos quem ditam as regras de contratação e os baixos salários oferecidos, em razão do excesso de oferta de mão de obra desqualificada e abundante.
   A exemplo disso, no Brasil, apesar dos altos índices de empregabilidade atual, os salários são mediamente baixos, em face dos padrões mundiais e há uma intensa rotatividade de mão-de-obra, já que a maior parte dos empregos é de salário mínimo e as condições de trabalho são extenuantes.
  Se realmente se quer avançar em termos de sustentabilidade, há que se estabelecer limites ao Capitalismo, ao crescimento demográfico e aumentar os impostos e, consequentemente, os serviços e a eficiência do Estado em favor dos mais pobres.