O Produtivismo, aqui já criticado em outro post, é nocivo não só à sustentabilidade laboral, pela sobrecarga que implica sobre os trabalhadores, mas também pode comprometer a saúde de uma população exposta a esse lema. Uma vez que se estimula a produção, o uso de substâncias psicoativas estimulantes, para o aumento do rendimento individual também é ampliado. Tais pessoas, profissionais ou estudantes, tem ganhos produtivos no curto prazo, ao custo da sua saúde no médio e longo prazo.
Em países de alta produtividade dos trabalhadores, ao exemplo do EUA, o consumo lícito de café (cafeína) e ilícito de cocaína é acentuado. Tais tipos de drogas são estimulantes do sistema nervoso central, provocando um aumento da atividade mental e, por consequência, do rendimento individual. Claro que o poder de ativação da cocaína é muito ampliado em face do café.
Na Alemanha, a onda atual é o consumo de metanfetamina, para saber mais, clique aqui. Não pode ser esquecido que a Alemanha é outro exemplo de país produtivista, na qual é da cultura nacional o excesso de dedicação ao trabalho. Logo, local ideal para a propagação do uso desses tipos de substâncias que provocam um "up" nas condições dos trabalhadores, especialmente aqueles trabalhadores de funções braçais ou intelectuais, cuja produção é exigida em extremo.
Tais pessoas não podem falhar e tem que estar no controle dos excessos perante os quais lhe são exigidas. Seu desempenho deve ser acima da média, devem dar conta de muita pressão e exigência, resultando em grande tentação para a adoção de tais substâncias enquanto suporte parar dar conta do recado.
No Brasil, isso pode ser observado também no uso dos chamados "rebites" por caminhoneiros, permitindo com que trabalham, isto é, dirijam por horas a mais, sem parar para dormir ou descansar.
A Farmacopornografia das Indústrias de Medicamentos aliadas a certos médicos (outro post já publicado aqui) também colabora nesse sentido, no uso de substâncias controladas para estimular (ritalina, fluoxetina) ou para controlar a ansiedade e os excessos exigidos (ansiolíticos em geral).
Tudo isso é insustentável, uma forma de escravidão neuroquímica, dentro de um modelo de vida humana cujo trabalho continua a ser a principal forma de se retirar a mais valia de alguém em favor da concentração de riquezas.
Modificar esse quadro requer a mudança dos próprios paradigmas individuais de existência. Adotar o minimalismo, reduzir o número de pendências e responsabilidades, a favor de um modo de vida mais equilibrado e capaz de ser vivido sem a necessidade de drogas ou substâncias químicas produtivas.
Leia abaixo trecho da reportagem sobre metanfetamina na Alemanha:
Uma droga para tempos caóticos
"A metanfetamina é bem adequada a este tempo", opina a terapeuta Annegret Sievert, que trata dependentes na Clínica de Reabilitação Hochstadt, perto de Bayreuth. "Todos precisamos fazer mais trabalho em menos tempo." A clínica oferece treinamento para empregadores em setores industriais que querem aprender a identificar os viciados em meth entre seus funcionários. O conselho de Sievert: "Se alguém trabalha bem demais, você deve desconfiar".
Sievert diz que em Bayreuth a metanfetamina é compartilhada entre colegas - capatazes, operários e motoristas de caminhão. Mais cedo ou mais tarde, muitos acabam em seu consultório. Ela costuma encarar homens fortes que não estão habituados a falar sobre seus sentimentos. O paciente mais velho de Sievert está quase na idade de se aposentar, é um ex-campeão de lança da Baviera que começou a tomar meth para acompanhar os jovens nos esportes e no trabalho. Ele a consumiu durante 30 anos.
Mas não são só as pessoas com medo de ficar para trás no trabalho que cheiram cristal. O estudo do Ministério da Saúde cita outro grupo de risco: "pais que o consomem".
Se você falar com uma terapeuta de dependentes como Claudia Adamczyk, da cidade de Erfurt, na Turíngia, centro da Alemanha, saberá que o uso de metanfetamina muitas vezes é provocado por uma gravidez precoce. A droga é usada para combater o cansaço e perder peso. "Em vez de admitir que você não pode fazer tudo - criar crianças, ser bonita, limpar o apartamento, fazer ótimo sexo e ter sucesso no trabalho -, a metanfetamina dá às mulheres a sensação de que elas podem ser eficazes."
Adamczyk estima que 40% dos usuários que ela atende são mulheres. Ela diz que é especialmente notável que muitas pessoas que buscam sua ajuda nunca haviam consumido qualquer outra droga pesada.
"Espera-se cada vez mais que as garotas trabalhem duro, acreditem em si mesmas, se afirmem", diz. Essa pressão faz muitas pessoas tímidas terem medo do fracasso. Uma aluna que esperava que o cristal a ajudasse a escrever trabalhos melhores para a escola disse: "Eu quero a sensação de que tenho tudo sob controle". Um motivo banal para tomar drogas pesadas. Mas é um dos maiores motivos pelos quais as mulheres têm muitos problemas para parar.
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2014/03/14/o-pico-antes-da-queda-a-epidemia-de-cristal-de-metanfetamina-na-alemanha.htm Acessado em 14/03/2014.
Leia abaixo trecho da reportagem sobre metanfetamina na Alemanha:
Uma droga para tempos caóticos
"A metanfetamina é bem adequada a este tempo", opina a terapeuta Annegret Sievert, que trata dependentes na Clínica de Reabilitação Hochstadt, perto de Bayreuth. "Todos precisamos fazer mais trabalho em menos tempo." A clínica oferece treinamento para empregadores em setores industriais que querem aprender a identificar os viciados em meth entre seus funcionários. O conselho de Sievert: "Se alguém trabalha bem demais, você deve desconfiar".
Sievert diz que em Bayreuth a metanfetamina é compartilhada entre colegas - capatazes, operários e motoristas de caminhão. Mais cedo ou mais tarde, muitos acabam em seu consultório. Ela costuma encarar homens fortes que não estão habituados a falar sobre seus sentimentos. O paciente mais velho de Sievert está quase na idade de se aposentar, é um ex-campeão de lança da Baviera que começou a tomar meth para acompanhar os jovens nos esportes e no trabalho. Ele a consumiu durante 30 anos.
Mas não são só as pessoas com medo de ficar para trás no trabalho que cheiram cristal. O estudo do Ministério da Saúde cita outro grupo de risco: "pais que o consomem".
Se você falar com uma terapeuta de dependentes como Claudia Adamczyk, da cidade de Erfurt, na Turíngia, centro da Alemanha, saberá que o uso de metanfetamina muitas vezes é provocado por uma gravidez precoce. A droga é usada para combater o cansaço e perder peso. "Em vez de admitir que você não pode fazer tudo - criar crianças, ser bonita, limpar o apartamento, fazer ótimo sexo e ter sucesso no trabalho -, a metanfetamina dá às mulheres a sensação de que elas podem ser eficazes."
Adamczyk estima que 40% dos usuários que ela atende são mulheres. Ela diz que é especialmente notável que muitas pessoas que buscam sua ajuda nunca haviam consumido qualquer outra droga pesada.
"Espera-se cada vez mais que as garotas trabalhem duro, acreditem em si mesmas, se afirmem", diz. Essa pressão faz muitas pessoas tímidas terem medo do fracasso. Uma aluna que esperava que o cristal a ajudasse a escrever trabalhos melhores para a escola disse: "Eu quero a sensação de que tenho tudo sob controle". Um motivo banal para tomar drogas pesadas. Mas é um dos maiores motivos pelos quais as mulheres têm muitos problemas para parar.
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2014/03/14/o-pico-antes-da-queda-a-epidemia-de-cristal-de-metanfetamina-na-alemanha.htm Acessado em 14/03/2014.