Um pouco mais sobre Insustentabilidade Vegetativa

Enquanto os químicos despejados na natureza não fazem seu papel no controle biológico do crescimento vegetativo, a superpopulação em curso continua devida à falta de planejamento familiar, especial decorrência de políticas públicas inexistentes ou deficitárias na área.


Segundo dados pesquisados pela Fiocruz (vide aqui), atualmente no Brasil, país em decréscimo populacional em curso, ainda 55% dos casos de gravidez não são planejados. Isso é um dado alarmante, ao se tratar da omissão ou déficit de políticas públicas por parte do estado brasileiro. 

Trata-se de um dado de prevalência altíssimo em se tratando de saúde pública, contra o qual a responsabilidade é tanto individual quanto coletiva.

Como são as mulheres que acabam recebendo todo os encargos dessa gravidez não esperada, muitas vezes por serem adolescentes, serem abandonadas ou não receberem o devido auxílio de seus parceiros, isso direciona esse passivo estatal especialmente às questões de gênero.

Um dado que atesta isso está no fato de que, dentre os 55% de ocorrências de gravidez não planejada, 9% das mulheres permaneceram insatisfeitas com o ocorrido, mesmo depois do nascimento da criança! Rejeição materna pelo filho é algo grave, em termos psicológicos, e envolve custos sociais e emocionais futuros à criança. 

Como já trabalhado neste blog, trata-se da hipótese da "Teoria do Nascimento Condenado", na qual, o único inocente foi aquele que não pediu para nascer, mas agora terá de passar sua vida por provações para as quais uma criança desejada e esperada, em regra, não passaria.

Enquanto o aborto for tratado como um assunto de foco religioso num estado laico, sem que se discuta o básico, que é o direito da mulher decidir sobre seu próprio corpo e seu próprio futuro, a condenação a uma vida de privações parece ser punição a ambos e, em consequência, para toda a sociedade. Para ler um artigo sobre o assunto, clique aqui.

Em face de um planeta cuja pegada ambiental da população atual, já transcende a sua capacidade de manter a qualidade de vida humana no longo prazo, os aumentos vegetativos previstos em países "pobres" só tendem a agravar o caos social, as guerras por recursos naturais e a violência entre os pares. Seria essa a saída da seleção natural para o controle da superpopulação humana?

Para Amartya Sen, direitos humanos são conquistados pelo emponderamento das pessoas, as quais passam a ter o poder de decidir por suas próprias vidas, desde que servidas pelo Estado do Bem-estar Social em suas demandas básicas de saúde, educação, moradia, renda. 

Se há superpopulação, o princípio da Reserva do Possível, deixa claro os limites do Estado do Bem-Estar Social, pois não haverá recursos para todas as necessidades humanas. Por outro lado, o emponderamento das mulheres é a melhor das formas de gerir o seu planejamento familiar. Segundo Al Gore, isso fazer toda a diferença nessa questão de sustentabilidade mundial.