Ter uma convicção pessoal e pública de esquerda é algo que está em voga no Brasil, nos dias atuais. Não obstante, como diz o provérbio popular: "o inferno está cheio de boas intenções". Nesse sentido é que será analisado o chamado "esquerdismo de Direita", definido como a opção individual, por meio da adoção de uma matriz ideológica de esquerda, mas voltada somente à satisfação de demandas individuais de sucesso, obtenção de riqueza ou de poder. São os chamados oportunistas do poder, aliados aos psicopatas da corrupção, psicóticos da destruição e carreiristas de todos os tipos que, no final das contas, "privatizam" os recursos do Estado e as benesses do poder para si.
Nada mais claro que as lições de Adam Smith, tido como o pai do Capitalismo, mas que na verdade, era um mero professor universitário de Filosofia Moral, o qual estudava o comportamento moral e econômico dos indivíduos. Para ele, o ser humano age, basicamente, voltado ao auto-interesse, ou seja, na obtenção da satisfação moral e material de suas necessidades e desejos.
Atualmente, foi Amartya Sen, depois de tantos outros pensadores, a demonstrar como a natureza humana pode transcender essa esfera do auto-interesse e com vistas a agir em prol de outros valores sociais para além do egoísmo, ao exercer a chamada "condição do agente", englobando tudo o que se faz sem que se busque a satisfação, direta ou indireta, de demandas individuais, em termos de realizações sociais e existenciais.
Pois bem, mas não é isso que oportunistas, psicopatas e psicóticos querem, na verdade, eles atendem somente ao seu auto-interesse, usando o discuso dominante do poder atual para obter o que querem, sem coerência entre teoria e prática, guiando-se pelo postulado moral básico proposto por Adam Smith. Rodrigo Constantino, de vocação de direita, chama esse tipo de indivíduo de "Esquerda Caviar".
Nesse caso, podem ser incluídos, por exemplo, os filhos das classes dominantes, criados em lares e escolas seletos, que vão às ruas exercer sua revolta aparentemente contra o próprio sistema que lhes garante um confortável retorno, após as manifestações, ao meio de vida elitizado que desfrutam, usando o momento apenas para expressar sua agressividade psicopática destruidora.
Também pode ser incluídos os políticos, especialmente os vira-casacas, antes participantes do antigo patrimonialismo do Estado brasileiro e agora, defensores de valores de esquerda. A esses se somam os novos políticos de esquerda, antigamente críticos ao patrimonialismo e que agora, usam o poder para o enriquecimento próprio, de seus familiares e grupos.
Talvez o teste da realidade, como predizia a psicanalista Melanie Klein, para se avaliar a realidade e a fantasia de uma personalidade, seja colocar em prova a coerência entre as ideias do indivíduo e a realidade, entre o que diz e o que faz. Evita-se assim, aquele outro conhecido ditado popular: "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço".
Não que ter uma convicção de esquerda requeira ser franciscano, não ter bens e ser desprovido de desejos de consumo. Não é isso. O problema está em se autodenominar de esquerda, mas agir sem coerência de propósitos, enquanto um apropriador de riquezas e privilégios, ampliando a desigualdade social ou destruindo bens públicos de uso de toda a população.
Psicopatas quase sempre estão perto do poder e são facilmente moduláveis a qualquer discurso ideológico de esquerda, desde que as chaves do cofre do Estado estejam em suas mãos. Assim se faz facilmente aliados, se conquistam mentes acadêmicas para reproduzir discursos e se corrompem as regras de Direito e da Democracia. Sempre em prol de algo que aparentemente seja melhor na teoria, mas que na prática os mantenha no poder ou gere vantagens individuais, a exemplo da realização da Copa no Brasil.
Na história da humanidade, talvez Robespierre tenha sido o grande combatente do esquerdismo oportunista que, com sua purificação genocida dos falsos revolucionários da esquerda jacobina, nada obteve além de sua própria morte, permitindo, em sua sequência a emergência das forças da direita, por Napoleão, colocando a ordem burguesa em coerência do discurso da apropriação Capitalista e da prática individual de quem mantém o poder.
Talvez essa seja a sina, o paradoxo de tudo o que há de bom nas convicções progressistas da esquerda (inclusão, igualdade, fraternidade), que acabam por ser destruídas pelos esquerdistas oportunistas, infiltrados em qualquer governo com essa tendência.
Seriam essas as efetivas razões dos desequilíbrios sociais e econômicos gerados logo por governos que se dizem de esquerda e buscam, paradoxalmente, realizar o bem-estar econômico de seus povos, mas que, na prática, acabam por gerar desequilíbrios ao produzir prioritariamente o bem-estar de seus correligionários?
A cura sustentável para isso esteja na busca cotidiana da autocrítica por qualquer militante, que se diz de esquerda, dos seus pecadilhos existenciais egóicos, colocando cada vez mais coerência em sua vida e em suas ações. Cada qual deve buscar fazer diariamente uma avaliação contínua de posturas, com correções de rumo sempre necessárias a cada passo.
Viver no minimalismo do possível, na contenção dos excessos do consumismo, da ostentação e da apropriação que gere ainda mais desigualdade. Isso se faz na priorização do ser ao invés do ter, buscando-se a sustentabilidade em tudo o que se faz, por respeito ao próximo e ao futuro das próximas gerações.
Viver no minimalismo do possível, na contenção dos excessos do consumismo, da ostentação e da apropriação que gere ainda mais desigualdade. Isso se faz na priorização do ser ao invés do ter, buscando-se a sustentabilidade em tudo o que se faz, por respeito ao próximo e ao futuro das próximas gerações.
Mas isso requer liberdade, educação, autonomia, democracia e direito de escolhas individuais perante as quais o Estado deve se abster de intromissão, coisas que aos esquerdistas oportunistas, psicopatas e psicóticos não vai nunca interessar e contra os quais nem Robespierre conseguiu evitar.
Daí certas vertentes autoritárias, cuja pretensão, até mesmo inconsciente, é garantir a privatização dos recursos do Estado ao seus auto-interesses, seja por meio do controle de toda a nação ou de quem apontar suas falhas, ferindo a liberdade de impressa, direitos humanos e o que necessário for para se manter no poder.
Como diz Ihering, a "luta pelo direito" é algo contínuo. Para quem realmente deseja viver num país e num mundo melhor, o caminho é pela superação das próprias sombras, em primeiro lugar.
Para uma social sustentabilidade ou para um socialismo sustentável, o caminho de lutas pela redução da desigualdade parece ser da estipulação de limites à apropriação das riquezas pelos indivíduos extremamente ricos, com a instituição de impostos altos sobre a renda, transações financeiras, as heranças, as riquezas e lucro.
Mas para isso dar certo, esse dinheiro a mais, advindos de impostos, deverá ser canalizado à sociedade com efetividade, nas área de infraestrutura, segurança, educação e saúde. Conjuntamente, há que se estabelecer limites à apropriação das rendas do Estado, pelos oportunistas, psicopatas e psicóticos de plantão. Sem isso, a construção de uma sociedade mais justa e sustentável ficaria prejudicada pela demanda infinita do auto-interesse dessas pessoas, que só se diferenciam dos mais selvagens capitalistas pelo rótulo de esquerda imoralmente agregado.
Daí certas vertentes autoritárias, cuja pretensão, até mesmo inconsciente, é garantir a privatização dos recursos do Estado ao seus auto-interesses, seja por meio do controle de toda a nação ou de quem apontar suas falhas, ferindo a liberdade de impressa, direitos humanos e o que necessário for para se manter no poder.
Como diz Ihering, a "luta pelo direito" é algo contínuo. Para quem realmente deseja viver num país e num mundo melhor, o caminho é pela superação das próprias sombras, em primeiro lugar.
Para uma social sustentabilidade ou para um socialismo sustentável, o caminho de lutas pela redução da desigualdade parece ser da estipulação de limites à apropriação das riquezas pelos indivíduos extremamente ricos, com a instituição de impostos altos sobre a renda, transações financeiras, as heranças, as riquezas e lucro.
Mas para isso dar certo, esse dinheiro a mais, advindos de impostos, deverá ser canalizado à sociedade com efetividade, nas área de infraestrutura, segurança, educação e saúde. Conjuntamente, há que se estabelecer limites à apropriação das rendas do Estado, pelos oportunistas, psicopatas e psicóticos de plantão. Sem isso, a construção de uma sociedade mais justa e sustentável ficaria prejudicada pela demanda infinita do auto-interesse dessas pessoas, que só se diferenciam dos mais selvagens capitalistas pelo rótulo de esquerda imoralmente agregado.