Por que um governo populista nem sempre é um bom sinal em termos de sustentabilidade?

Em estudo publicado por Helios Herrera, do HEC Montreal, Guillermo L. Ordoñez, da Universidade da Pennsylvania, e Cristoph Trebesch, da Universidade de Munique, foi detectada a existência de um padrão de crise econômica, sempre na sequência de um governo populista, com grande aprovação social. Qual seriam as causas dessa insustentabilidade?

O problema parece estar sempre na gestão dos recursos públicos. Governos populistas tendem a aumentar os gastos sociais e o crédito, o que atende às demandas da sociedade, aumentando a popularidade desses governos. Até aí, nada mais justo do que um governo que desenvolva políticas públicas em prol da população em geral.

O problema da insustentabilidade desse modelo surge quando as despesas ultrapassam as receitas, gerando um déficit de recursos a ser equalizado pelos seguintes caminhos:

a) aumento de impostos;
b) empréstimo de dinheiro por parte do Estado;
c) emissão de dinheiro novo.

Aumentar impostos pode ser uma medida de justiça social, desde que leve em conta o aumento da tributação dos mais ricos. Caso contrário, como ocorre no Brasil, os mais pobres são os que pagam 54% de impostos em tudo o que recebem. Isso é justo? Isso só aumenta a desigualdade e a dependência das pessoas do governo populista. Logo, insustentável.

Emprestar dinheiro é uma das formas do Estado financiar as demandas de infraestrutura, atendendo ao bem-estar da população de hoje e deixando os bens ao futuro, com benefícios para todos. Entretanto, quando o financiamento passa a ser obtido para o pagamento de despesas correntes do Estado, nada é construído. Deixa-se ao futuro apenas as dívidas, que serão pagas sem qualquer benefício às futuras gerações. Isso é insustentável. Vender o futuro não é direito dos políticos populistas do presente, mas isso não é percebido pela população.

Emissão de dinheiro novo é a pior forma de financiar as despesas públicas. Quando se aumenta a emissão de dinheiro, gera-se inflação, pois com mais dinheiro em circulação na economia, a demanda por produtos e serviços aumenta, assim como seus preços. Isso é insustentável e, quando mais populista o governo, mais uso fará desse recurso, uma vez que permite alavancar gastos sociais para obter popularidade, sem mensuração os custos da inflação a todos.

A saída para um Estado Sustentável está no estabelecimento de limites. Limites aos gastos do Estado, para que não se precise aumentar impostos, contratar empréstimos (sem ser para infraestrutura) ou emitir dinheiro e produzir inflação.

Tais limites acabarão reduzindo o populismo de qualquer governo. Não obstante, o Estado Sustentável não é aquele que promove o arrocho ou a austeridade, jogando a sociedade à mingua e colocando assim, em risco os mais pobres e vulneráveis.

O Estado Sustentável trabalha com foco na eficiência do uso de recursos disponíveis no orçamento, sem ser produtivista ou privatista, o caminho esta na otimização das estruturas e servidores. Para isso, novos modelos de gestão deverão ser adotados, utilizando-se a inteligência e a tecnologia para o bem de todos. 

O Estado Sustentável também mantém claras as regras do jogo econômico e mantém estabelecidos os critérios de regulação dos mercados, permitindo assim, um desenvolvimento sustentável e sem afrouxamentos monetários que só beneficiam a governos populistas.

Enquanto isso não ocorre, o mundo fica entre os populistas e os austeros, em ciclos contínuos de "enxugamento de gelo". Quem paga a conta da crise construída pelo governo populista que deverá ser combatida pelo governo austero? A população.


Para ler mais:

http://www.voxeu.org/article/increasing-government-popularity-predicts-emerging-market-financial-crises   Acesso em: 08/09/2014.

http://exame.abril.com.br/economia/noticias/boom-politico-precede-crise-em-emergentes-diz-estudo  Acessado em: 08/09/2014.