Da Burocracia Weberiana ao Patrimonialismo Luso-brasileiro

Max Weber foi o criador da Teoria da Burocracia, enquanto instrumento para eficiência das organizações, a partir da meritocracia e especialização e utilização de marcos legais para que a gestão pública ganhe em dinamismo e racionalidade.

Até esse ponto de vista, a Burocracia seria um elemento útil ao desenvolvimento da sustentabilidade das organizações, colaborando para a racionalização e aplicação de políticas institucionais voltadas à melhoria de suas atividades.

Daí ser originada a meritocracia enquanto meio para seleção dos melhores funcionários ao desempenho daquela determinada função. 

Isso se perde a partir do momento em que, selecionado por seus méritos, o funcionário público, utilizando das prerrogativas de estabilidade e de poder que o Estado lhe concede, faz isso disso para produzir o chamado patrimonialismo.

Patrimonialismo pode ser entendido como a utilização do cargo público em proveito próprio para além da remuneração e das vantagens mínimas concedidas, mediante pressão política por mais e mais vantagens, as quais acarretam custos orçamentários cada vez mais insustentáveis ao Estado.

No caso brasileiro, o patrimonialismo acarreta uma deturpação grave, um desequilíbrio social, entre os que detém prerrogativas de servidor público, especialmente nos cargos chamados de "carreiras de Estado". São eles, os beneficiários de altos salários, aos quais se somam vantagens que não estão ao acesso da maioria esmagadora dos brasileiros, tais como auxílios (moradia, alimentação, saúde).

O patrimonialismo está na mentalidade de que, uma vez ocupado o cargo, o Estado é devedor de mais e mais benefícios, ao "proprietário do cargo", numa demanda infinita de necessidades, sem que isso tenha um parâmetro com a realidade e com a condição dos demais seres humanos brasileiros.

Isso gera desigualdade social e concentração de riquezas, já que, o Estado, para atender a essas demandas, acaba por aumentar impostos e assim retira renda da sociedade e as transfere aos seus funcionários.

Um repensar ético deve ser feito. Limites devem ser estabelecidos se há uma real busca da sustentabilidade social, em prol de todos.