Não existem Direitos Humanos sem Sustentabilidade: os paradoxos do estado de necessidade e legítima defesa em face da ausência da recursos naturais

Imaginar um mundo com pleno respeito à Declaração dos Direitos Homem é o retrato ideal construído na teoria dos chamados "direitos humanos". Por ela, muitos juristas e outros estudiosos concentram seu foco de pesquisas, aulas e produção científica. Não obstante, sem a análise de seu antecedente, a Sustentabilidade, toda a retórica humanística perde seu valor quando e se houver um conflito global por recursos naturais escassos.

Em conflitos localizados por recursos naturais, o uso da força em prol da sobrevivência, quando e se não houver mais condições de subsistência a todos, demandará o entendimento de que há excludentes de antijuridicidade que afastam os direitos humanos.

Nesse sentido, em estado de necessidade ou legítima defesa, quando humanos lutam contra humanos ou se defendem deles, ou ainda quando a sobrevivência está em jogo, tudo que for escrito sobre direitos humanos servirá apenas de combustível às fogueiras tribais.

Assim pensa James Lovelock (2008), na obra "Gaia: alerta final". Para esse autor, hoje o foco das forças devem ser na discussão dos deveres humanos, dos pactos de sustentabilidade a serem aplicados por pessoas, empresas e estados.

Portanto, a Sustentabiliade deve ser considerada o antecedente teórico obrigatório aos direitos humanos. Sem o investimento urgente em Sustentabilidade e caso se confirmem as previsões de James Lovelock, não haverá mais espaço aos direitos humanos.

Sobreviver será algo relegado a uma pequena parcela da população mundial, em oásis de vida, protegidos por armamentos de destruição em massa, com vistas ao afastado de todos aqueles que ficaram de fora, sem qualquer prerrogativa humanística, segundo Lovelock.

Se você é humanista e luta pela fraternidade, há que se saber qual o caminho prioritário e onde investir suas forças intelectivas. Desperdiçar energia nesse momento da crise ambiental mundial, é um luxo intelectual tão insustentável e supérfluo quando os excessos de consumo, que não tem mais espaço para ocorrer no planeta.