Resenha da Encíclica Papal Laudato Si (Louvado Seja)

Editada pelo papa Francisco, no dia 25 de maio de 2015, no Vaticano, a Encíclica Papal "Laudato Si" (Louvado Seja), "Sobre o Cuidado da Casa Comum", trata da questão da crise ambiental global e sobre a responsabilidade humana por sua ocorrência e correção. Para acessar a encíclica, clique aqui.
Inicia mencionando o primeiro grande ambientalista ocidental, São Francisco de Assis, remetendo a um cântico que invoca valores primordiais humanos relacionados à Terra, a casa de todos, a colher, alimentar e prover a vida, sobre todas as suas formas.

Ao fazer isso, personifica a Terra enquanto casa, mas também enquanto mãe acolhedora da vida, que também é tratada em outras religiões e pensamentos enquanto Pachamama ou Gaia, um ente maior, ao qual a vida humana está intimamente relacionada e contra a qual não se pode afastar.

Na sequência, estabelece, enquanto violência, a forma como o ser humano utiliza o solo sagrado dessa grande entidade planetária, usando de maneira irresponsável os bens naturais por ela deixados ao equilíbrio da vida, a pilhar e saquear suas estruturas sagradas. Demonstra que, isso ocorre devido ao erro humano de se avocar enquanto agente de dominação, com uma ânsia proprietária de tomar para si aquilo é necessário à sobrevivência de todas as formas a integrar a vida.

O Papa Francisco dirige a encíclica a todos os seres humanos, "a cada pessoa que habita esse planeta", "um diálogo com todos sobre a nossa casa comum". Ao fazer isso, ele procurar transcender as esferas dos católicos com vistas a lançar dialogar com todas pessoas, de diferentes culturas e religiões, "vista da deterioração global do ambiente".

Faz reminiscências ao pontificado de João Paulo II, enaltecendo seu trabalho em prol de uma "conversão ecológica global", com mudanças profundas no estilo de vida, de consumo, de produção e de poder, no qual se estruturam as sociedades, a partir da necessidade de se enaltecer aspectos morais a essa jornada humana sobre a terra.

Em seguida, demonstra que sua inspiração maior é sem dúvida no modelo de São Francisco de Assis, "exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade." Ao fazer isso, corrobora com a necessidade atual de que a tratativa da questão ambiental deve ser integral, sistêmica, observada com autenticidade e, logo, coerência, com alegria e boa vontade, pois assim a temática exige na adesão humana apaixonada na sua defesa.

Ressalta ainda outras características de São Francisco de Assis contemporaneamente necessárias ao enfrentamento coerente da temática, tais como a simplicidade (minimalismo existencial), uma vida em harmonia com a natureza, generosidade, busca por harmonia e paz interior. Demonstra como sua mística ecológica o colocava em intensa conexão com a natureza, na busca por uma união e integralização com o meio, exemplo essencial de modo de viver para que, na vida contemporânea, o ser humano não se torne meramente num consumidor de recursos naturais, degredados à satisfação de interesses imediatos.

Trata-se, de um retorno à simplicidade, da busca pelo belo, pelo natural, de uma conexão essencial capaz de provocar o bem-viver e harmonia por si só. Daí o caminho para uma reestruturação da noção de existência e "uma renúncia a fazer da realidade um mero objecto de uso e domínio." Lições espirituais de São Francisco de Assis de que a felicidade e a alegria estão para além dos bens, mas cuja ocorrência está intimamente ligada à conexão humana com a natureza.

Daí o apelo explicitado pelo Papa Francisco na encíclica de que se volte à proteção da casa comum, a partir da união de todas as famílias humanas em prol do desenvolvimento sustentável, da construção do futuro do planeta sobre a responsabilidade de todos os presentes, um novo caminho de solidariedade universal.

Que se pare de negar ou ser indiferente ou desinteressado à problemática. Que se busque enfrentar o comodismo resignatório e a mera esperança inocente em soluções técnicas vindouras por terceiros, pois todos podem e devem colaborar de alguma maneira para a mudar o estado de coisas atual, como diz o Papa Francisco.

A seguir, divide seis em capítulos o enfrentamento da temática, os quais serão, cada qual, resenhados a seguir.