A Perda do Bônus Demográfico e a Insustentabilidade do Futuro

Bônus Demográfico é o período de tempo em que, numa determinada nação, a população economicamente ativa predominante (entre 18 a 60 anos) é maior do que os estratos infantis/juvenis (menores de 18 anos). e os idosos (mais de 60 anos). Quando isso ocorre, dentro das estatísticas demográficas de evolução da população, uma determinada nação atinge seu auge de sustentabilidade econômica, em razão da produtividade ampliada da população ativa existente.

Quando se atinge o Bônus Demográfico, uma nação tem à sua disposição as condições para produzir o crescimento econômico necessário ao estabelecimento de uma infraestrutura adequada ao desenvolvimento social do país.

Uma vez passado o Bônus Demográfico, na teoria econômica aplicada, espera-se que a nação tenha atingido um estágio de país desenvolvido, fundamentado pelo emprego correto das riquezas produzidas no período, as quais agora, serviriam para a manutenção das conquistas sociais, conforto e qualidade de vida no presente e no futuro. 

O Bônus Demográfico brasileiro iniciou-se por volta de 1970 e tem a duração prevista até cerca 2030. Durante o período, devido às crises econômicas vividas, o Bônus Demográfico não foi corretamente empregado na construção de uma infraestrutura esperada. O país avançou mas não conseguiu gerar as riquezas suficientes para galgar um patamar de desenvolvimento mais ampliado, em termos urbanos, educacionais, sanitários, na estrutura do Estado e empresariais.

Enquanto era de se esperar o desempenho de até 80% dessa população economicamente ativa na produção de riquezas, o Brasil somente atingiu índices de 50%. Logo, há um "gap" de 30% de pessoas que poderiam estar contribuindo para a produção de riquezas e não estão. Muito disso em decorrência da geração "nem-nem", do grande grupo de adultos jovens, entre 18 a 29 anos, que não realiza qualquer tipo de atividade produtiva, nem estuda, nem trabalha.  

Com isso, o país caminhará a uma situação de finalização do Bônus Demográfico a partir de 2030, transformando-se num país de idosos, em razão do avanço etário dessa população, sem ter produzido um grau de riquezas suficientes, traduzidos em infraestrutura, necessário a manter o vigor econômico, com a redução da população economicamente ativa.

É a perda de uma chance na área econômica, a gerar o popular chavão da insustentabilidade: "O Brasil ficará velho antes de ficar rico."