Teste de Realidade para se Diferenciar Socialistas e Patrimonialistas

Um dos grandes problemas das ideologias é a ausência de coerência pessoal com os postulados assumidos publicamente. Fazer bondades e conceder benefícios com o dinheiro alheio, isto é, com impostos, com empréstimos públicos ou inflação (emissão de moeda) é fácil, cortar na própria carne (benefícios e prerrogativas obtidos do Estado) para garantir mais igualdade social, é muito difícil.

Com os patrimonialistas instalados na estrutura do Estado, numa haverá espaço para socialismo, pois não há, salvo os discursos e uso do dinheiro alheio, qualquer vontade individual em contribuir com uma redução de sua participação no bolo para o bem de todos. 

Faça o teste de realidade. Chegue até um patrimonialista e pergunte a ele sobre um projeto de emenda constitucional que visa eliminar quaisquer benefícios para além do salário. Veja como ele lhe responderá. 

Depois, pergunte a opinião dele sobre um pretenso projeto de constituinte que vise cortar os maiores salários pela metade, visando utilizar o dinheiro para investimentos em saúde e educação.

Pronto, com essas respostas você terá um panorama real do nível de socialista "poser" e, por conseguinte, patrimonialista oculto.

As respostas ensaiadas pelos patrimonialistas do Estado tendem a ser as mesmas. Há que se respeitar os direitos adquiridos, o mérito e a valorização das carreiras de Estado, que não podem receber salários menores do que seus similares na iniciativa privada, sob pena de perda das melhores cabeças.

Se isso fosse verdade, se a iniciativa privada realmente remunerasse da mesma maneira, porque os concursos públicos seriam tão disputados e a média salarial no Brasil tão baixa? Outrossim, será que não existiriam também outras boas cabeças para substituir esses pretensos desistentes, que migrarem para a tal bem remunerada iniciativa privada? Existiriam direitos adquiridos criados em causa própria, perante o uso do Estado a seu favor?

Isso deve ser levado em consideração por quem defende o socialismo, a igualdade e a inclusão social. Se há patrimonialismo, esqueça qualquer possibilidade real de mudança da situação atual, pois um Estado, como o brasileiro, que suga 40% de toda a riqueza produzida pela sociedade, já distribui grande parte desses recursos à manutenção dos patrimonialistas, pensões e regalias.

Geralmente o patrimonialista, por dissonância cognitiva, entre tudo o que pede para si (benefícios e prerrogativas de Estado), acaba posando de "bom moço" perante a sociedade, defendendo medidas de igualdade, socialismo e inclusão social.

Na prática, isso serve para sua a pacificação íntima de suas incoerências, uma vez seus benefícios e prerrogativas obtidos são parte das causas dos grandes desequilíbrios, da desigualdade e da necessidade do Estado cada vez cobrar mais impostos, pedir mais financiamento e emitir moeda e, assim, gerar inflação e cada mais mais desigualdade e desequilíbrio. Esse ciclo não tem fim e representa um nível de insustentabilidade condenável.