Keynes, Macroeconomia e Sustentabilidade

A Macroeconomia nasceu com Keynes. Foi ele o grande idealizador do papel interventor do Estado na ordem econômica, para regular o até então mercado livre existente, a partir de suas falhas observadas na grande crise mundial de 1929.

Para Keynes, era dever do Estado, por meio de seu governo, intervir na ordem econômica para equalizar o fluxo de recursos e estimular a geração de riquezas, garantindo assim, um maior bem-estar social e acesso econômico à população, em geral.

A grande falha do pensamento keynesiano está na ausência de limites a esse papel do Estado na condução de suas políticas macroeconômicas. Daí a sua insustentabilidade, que se efetiva quando as estruturas e a interferência do Estado chegam a um nível que não mais pode ser suportado e bancado pela sociedade.

Surgem então, as saídas macroeconômicas insustentáveis há muito conhecidas: a inflação, o aumento de tributos e do endividamento público, para financiar os gastos exuberantes do Estado.

Esse é o ponto em que a teoria keynesiana perde sua importante contribuição para a superação das falhas dos mercados livres em produzir desigualdade. Pela sede de recursos públicos, os Estados Sociais acabam por gerar desequilíbrios macroeconômicos que, em última instância, também acabam por gerar desigualdade.

Por isso que a macroeconomia, cujo titular é o Estado, deve existir e ter seu papel, mas ser conduzida de maneira delimitada em seu âmbito de intervenção. Limites são essenciais no Estado Democrático de Direito, especialmente em face de populistas, cuja tentação maior está no retorno imediato das benesses concedidas. Vide exemplos atuais de Grécia, Venezuela e Argentina.

Tais populistas não entendem que, em macroeconomia, excessos geram excessos, não há ações sem efeitos e que, o Estado não é uma vaca leiteira infinita, da qual jorram recursos. Tais recursos vem da própria sociedade, que paga impostos e arca com a inflação.

Logo, em termos de sustentabilidade, a macroeconomia não pode mais ser conduzida sobre o modelo keynesiano puro. Limites são necessários, tendo em vista que o custo de oportunidade de qualquer opção, populista ou não, acaba por interferir, no longo prazo, na qualidade de vida econômica de uma população.