Recursos Escassos e Necessidades Humanas Ilimitadas: a saída metafísica dos fatores produtivos ao sustentável
É postulado básico de Economia que os recursos produtivos (também chamados de fatores de produção), tais como recursos naturais e capital econômico e humano, são escassos em face das necessidades humanas. Isso ocorre porque o eros da vida, como postulado básico da Psicanálise, empurra o ser humano na busca de sua realização existencial no plano material.
E numa sociedade de consumo, muito da realização existencial humana é medido pelo acesso do indivíduo aos bens de consumo, seja por necessidade, conforto ou status. Sempre por trás de um desejo humano consciente por bens e serviços, há o mecanismo inconsciente do prazer da realização, que é um inexorável motor da vida, mas cuja orientação é para algo impossível de ser atingido por todos os 8 bilhões de seres viventes.
Por isso, as necessidades psicológicas do viver são ilimitadas e vão ser manifestadas em cada ser humano enquanto a instância do Id, do eros, do princípio da busca pelo prazer. Quanto a isso, não há o que se fazer. Nem mesmo um estado totalitário conseguiria manter sob controle essas demandas existenciais por muito tempo.
Em um planeta superpovoado por seres humanos, o resultado disso será a completa destruição do ambiente e da capacidade de suporte da vida, como já se observam indícios atualmente.
A saída então, está não só na educação dirigida e a mudança dos padrões culturais de consumo e de realização existencial, mas também no estímulo à realização humana imaterial, a qual pode se dar como o uso reduzido de recursos naturais.
Para tanto, há que fortalecer o ego a partir de geração de novos standards de reconhecimento das realizações humanas. Volta-se aqui a recorrente análise existencial entre o ser e o ter. Há que se reforçar o ser ao invés do ter. Há que se transformar, enquanto necessidade humana, uma busca pelo aprimoramento constante, a nortear esse motor da vida, desfazendo-se da errônea concepção de progresso humano a partir da aquisição de bens de consumo.
Busca-se aqui, enquanto fundamento, um retorno às máximas das teorias orientais de que há um "dharma" individual em curso, enquanto um processo de realização humana voltado para sua evolução no plano material. Isso se faz pela aquisição de habilidades e pela direcionamento da energia da vida à construções metafísicas, no campo mental, emocional, artístico, voluntário, espiritual, cultural, musical, esportivo e na prestação de serviços qualificados, especializados e individualizados, uns aos outros.
Essa deverá ser a base de construção dos fatores produtivos na Economia Fraterna que propomos, passível de conduzir a sociedade humana à sustentabilidade.