A dita Constituição Cidadã de 1988 trouxe uma série de prerrogativas e benefícios dentro de uma matriz de Estado Social, com vistas à construção de uma sociedade mais justa equanime e solidária. Não obstante, nos últimos 20 anos a conta trazida por essa carta resultou no aumento de carga tributária nacional de 25% para mais de 35% do PIB, com alguns economistas já retratando 40% do PIB em impostos.
O resultado nefasto disso é uma sociedade sugada pelo Estado o qual, por má-gestão de recursos, opções questionáveis de direitos concedidos e outras regalias, acaba por gastar mal tudo o que arrecada. Como o Estado é ineficiente, mas bom arrecadador, ele penaliza a sociedade duas vezes, ao cobrar e ao não prestar serviços adequados, relegando a todos ao dever de arcar com educação privada, saúde privada, segurança privada, previdência privada.
Para alguns economistas, o futuro será ainda pior, pois há uma série de despesas já engessadas no longo prazo que, com o passar dos anos e com o envelhecimento da população, serão transformadas em déficits fiscais insustentáveis.
A saída, por mais dolorosa que seja, está em convocar uma nova Assembleia Nacional Constituinte, com o fito de criar uma nova constituição, especialmente para retirar do ordenamento jurídico brasileiro os chamados direitos adquiridos das altíssimas aposentadorias, as benesses patrimonialistas dos altos cargos públicos, os excessos de benefícios que fazem metade da população em idade ativa (entre 18 a 65 anos) não trabalhar e não contribuir, para que os tributos sejam reduzidos sobre os outros 50%, que acabam por carregar o piano.
Mas não há saídas fáceis aqui. Os grupos de interesses presentes no Estado são fortemente organizados e defende suas benesses sem duvidar. Corrigir essa situação só com uma grande força popular, educada e consciente do preço pago, unida em instrumentos de pressão social que possam derrubar a força desses grupos
Se isso é possível em face das características do povo brasileiro, talvez não, no curto e médio prazos. Restará então o caminho da Venezuela, quiçá um pouco menos, apenas o que está a ocorrer na Grécia.