A Etiologia Insolúvel dos Refugiados Ambientais

A grande leva de refugiados em direção à Europa tem como fundamento a crise de sustentabilidade vivida em seus países. Além da destruição social pela guerra civil em países como o Síria, Afeganistão, Iraque, há também os problemas ambientais vividos nesses países, que acabam por repercutir em toda a tríade da sustentabilidade.

Daí que essa leva de refugiados deve ser considerada enquanto refugiados ambientais, caracterizados enquanto aqueles que são desterrados de suas terras e moradias, por ocorrências para além de sua vontade e que minam sua capacidade de sobrevivência e qualidade de vida.

A etiologia dos refugiados ambientais pode ser a mesma, incluindo guerras, destruição das sociedades por falta de recursos naturais ou ruína da economia local. Com o câmbio climático global em curso, qualquer um desses fatores etiológicos pode levar imediatamente ao outro.

Assim, o câmbio climático, ao gerar a falta de recursos naturais, afeta a sobrevivência das sociedades e da economia local, ao passo em que, uma vez deteriorada essas condições básicas, o desequilíbrio pode levar ao retorno do estado da natureza e, consequentemente, um conflito pelos parcos recursos ainda existentes.

Com a guerra, resta os refugiados ambientais migrarem a outros locais, outros países ou continentes, em busca de novos espaços de sobrevivência e realização existencial sustentável.

Enquanto há capacidade de suporte, as sociedades mais desenvolvidas tendem a aceitar os refugiados ambientais. Mas essa capacidade de recepção é limitada e, com o tempo, tenderão a surgir barreiras, uma vez que os recursos do local também venham a se escassear. 

Surgirão então, os bunkers de vida, mencionados por James Lovelock na obra "Gaia: alerta final", cercados e militarizados, para se manter separados aqueles que tem direito a permanecer no ambiente qualitativo do bunker, afastados daqueles que não mais são suportados por ele.

Esse será o caminho final dos direitos humanos globais? O que está ocorrendo agora irá se agravar ou esse momento de disrupção social é apenas um evento momentâneo da Ásia e da África? Qual a solução sustentável para esse quadro?

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