Entre Lobos, Cordeiros e Cães Pastores

Se para Hobbes o "homem é lobo do homem", nada mais justo que uma nova categoria metaforicamente surgisse para a paz social, os cães pastores. Tais indivíduos passaram a compor as estruturas do estado, em prol da manutenção da vida em sociedade, do contrato social e do bem-comum.

O problema dessa equação é que, metaforicamente, tais cães pastores, se por um lado evitaram que os lobos atacassem grande parte da manada de 8 bilhões de cordeiros do planeta, nada puderam fazer para evitar essa proliferação incontida de vidas, muitas delas relegadas à pobreza, sofrimento e ausência de futuro.

Dentro de uma nova perspectiva de Contrato Social da Sustentabilidade, não serão os cães pastores que irão salvar o planeta. Ou serão os próprios cordeiros, a soerguer sua condição individual à de cães pastores da sustentabilidade, em coletivo, ou será a vez de outros lobos prestarem um serviço à busca do equilíbrio perdido ao Gaia.

Tais lobos futuros serão o câmbio climático, as guerras por recursos naturais, as eventuais doenças dizimadoras decorrentes da perda da qualidade sanitária da população global. Contra esses lobos, os cães pastores apenas poderão criar muros e cercas, nos bunkers de sustentabilidade ainda existentes.

Será que a crise de imigrantes atuais em direção desesperada à Europa, advindos da África e do Oriente Médio, já não é um sinal de que os cordeiros precisam mudar seu modo de ser e de viver. Haverá uma saída sustentável a esse quadro mundial de desesperados e desalojados por guerras, fome e condições climáticas?