Hobbes, Leviatã e o novo Contrato Social da Sustentabilidade

Em "Leviatã" (1651), Thomas Hobbes, em plena Guerra Civil Inglesa, conseguiu ter a clareza de discernimento para escrever uma obra que foi balizar para o surgimento do Estado, nos moldes em que é observado hoje. Parte a obra da ideia de que, o homem, em liberdade na natureza, agirá somente movido por seus interesses ou de seu clã, motivado por demandas ilimitadas, as quais levariam a uma guerra de todos contra todos (bellum omnium contra omnes) .

A saída, então, seria a estipulação de um contrato social entre todos, deixando o caos do estado da natureza em prol da criação de uma organização central, impessoal, com poder soberano, ou seja, com força suficiente para garantir a paz e ser aceita dessa maneira.

O homem é o lobo do homem e só o Estado organizado poderia por fim a essa sandice da natureza humana, movida apenas por seu próprio egoísmo.

A influência dessa obra na formação do modelo de Estado Moderno Absolutista e depois na formulação das Repúblicas e dos Estados Democráticos de Direito é notável. 

Mas a questão novamente ressurge, com uma necessidade de retorno aos clássicos agora, no desenrolar da crise ambiental global, quando os contratos sociais terão de receber adaptações, no sentido de refazer o equilíbrio da vida nas sociedades humanas, perante um planeta em via de exaurimento dos recursos naturais.

Sem isso, a escassez global de recursos poderá gerar novamente um estado da natureza, onde homens lutarão contra homens em busca de recursos de sobrevivência. E, uma vez atingindo novamente esse momento do caos, será inerente uma busca de ordem, a que, futuramente levará a um novo Contrato Social da Sustentabilidade.

Nesse novo momento futuro, duas novas premissas deverão ser adotadas em prol da reconstrução da paz social: o biocentrismo e a limitação bioética.

Pelo Biocentrismo, será enaltecido o direito de todas as formas de vida (e não só a humana) em usufruir em equilíbrio dos recursos naturais do planeta, sendo dever das sociedades humanas agir em prol do respeito a esses limites, tendo vem vista a sua própria sobrevivência.

Pela Bioética da sustentabilidade, surgirá o dever de evitar a procriação indevida, com o uso de efetivos meios de planejamento familiar, tendo em vista a completa ausência de possibilidades de albergar mais seres humanos, sem que isso gera conflitos por recursos.

Só com o Biocentrismo e com a Bioética da sustentabilidade é que um novo contrato social da sustentabilidade poderá ser formalizado.

Claro que, fora dos bunkers de sobrevivência, locais do planeta onde as condições de qualidade de vida ainda serão mantidas para um reduzido número de seres humanos, o estado da natureza voltará a imperar, segundo James Lovelock na obra "Gaia: alerta final". Para esses, nada restará, a não ser um retorno à guerra de todos contra todos. Pergunta: isso já não está acontecendo no Oriente Médio?