O Discernimento Sustentável e a Economia de Mercado

A Economia de Mercado, também chamada de Capitalismo, é o modelo econômico vencedor na história da humanidade. Só indivíduos nostálgicos no solipsismo de que há saída fora do modelo de mercado. Mas isso não quer dizer que a Economia de Mercado seja algo perfeito e defensável no estado em que se encontre atualmente, pois falta-lhe sustentabilidade.

É nesse ponto em que a China, por exemplo, encontra-se atualmente, cuja evolução ocorreu a partir da adoção do modelo da economia de mercado, a partir de 1978. Seus resultados foram o avanço rápido do PIB, da infraestrutura e da renda, permitindo ao país oriental tornar-se a segunda maior economia do mundo, em poucas décadas.

Essa China, uma grande Economia de Mercado, apesar de sua vertente de estado centralizador, agora começa a demonstrar os efeitos nocivos do crescimento econômico desmedido, especialmente em termos de poluição ambiental, danos à saúde da população e exaurimento dos recursos naturais.

Tal situação é o caminho para o nascimento de um novo paradigma de modelo econômico, que é o da sustentabilidade, ou a chamada Economia Ecológica e Sustentável. Nela, são mantidos os fundamentos da economia de mercado, mas são inseridos novos postulados, como a busca de inovações e reformas necessárias à obtenção de mitigação dos danos e adequação das pegadas ambientais à capacidade de suporte do planeta.

O Brasil, como sempre atrasado ao passo da história, ainda discute academicamente questões do século passado, preso entre debates ideológicos entre liberais e socialistas, com um gasto de fricção de cabeças inútil e ultrapassado na cronologia das revoluções do mundo.

Sair dessa prisão mental, desse solipsismo alheio às demandas atuais do mundo, em face do câmbio climático, é essencial para quem busca exercer a racionalidade e o discernimento individual, em prol da construção de algo realmente inovador e emancipatório no campo das ciências sociais, exatas e naturais.

Por isso, uma autorreflexão individual é necessária nesses tempos de crise e transformação rápida da humanidade. Há que se somar inteligências, cabeças pensantes e capacidades latentes de todos na construção do paradigma sustentável. 

O Brasil e seus pensadores não podem perder novamente o curso da história e há que se buscar um proeminência mundial naquilo que realmente importa e que está na proa de elaborações racionais, tecnológicas dos países dominantes na produção de conhecimento. 

De nada adianta falar em descolonização e ser colonizado com discursos europeus ultrapassados, como se o mero fato de criticar o liberalismo da economia de mercado fosse o suficiente para aderir a outro discurso ultrapassado do socialismo (isso também é ser colonizado, não é?).

A sustentabilidade não tem donos ou bandeiras. Ela reflete a potencial capacidade de suporte de todos, perante o planeta, a partir de fatos e impactos, sem argumentos teóricos ou meras ilações ideológicas sem conteúdo prático avaliável.

Usar o discernimento sustentável é essencial aos despertos na escolha das lutas e práticas, irmanados na busca de garantir a sobrevivência e o conforto, coisas que nem o socialismo e nem a economia de mercado foram capazes de garantir.