O Fim da Ilusão de um Mundo sem Fronteiras

A crise migratória vivenciada na Europa é o prenúncio da formação dos bunkers humanos, locais protegidos, para a manutenção das condições de qualidade de vida, em que os limites de capacidade de suporte, incluindo o limite do número de habitantes, será implementado gradativamente.


A relativização do Tratado Schengen, da União Europeia, a doce ilusão de um mundo sem fronteiras, está a ruir. Aos poucos, as fronteiras entre os países serão recompostas, pois não há capacidade de suporte infinita para o recebimento dos migrantes de todo o terceiro mundo, em busca de redenção nas terras europeias.

Ressurge então, o Estado hobbesiano e suas cercas e armamentos militares, visando paradoxalmente manter a qualidade de vida, dos que estão dentro das cercas, que só pode ser assim mantida, com o consequente afastamento daqueles que estão fora do perímetro.

Parece que, mais uma vez, os alertas de James Lovelock, no obra "Gaia: alerta final", estão a materializar-se como esperado. 

Há como evitar esse estado de coisas? Sim, há, mas falta motivação política internacional para tanto. Não há, mais uma vez conforme Hobbes, uma autoridade mundial, um Estado Mundial a maior, capaz de pacificar todas as áreas do planeta e assim, permitir a manutenção das populações em seus territórios, além de permitir condições sanitárias para o planejamento de natalidade em todos os rincões do planeta.

Isso se agravará no caso de câmbio climático, pois aí sim, tais levas de migrantes não terão opção, a não ser migrar em busca de novos Canaãs de vida organizada e sustentável, exercendo pressão sobre os bunkers, os oásis, e tendo como resposta em contrário o fechamento militarizado das fronteiras.

Esse é um paradoxo da sustentabilidade social dos tempos contemporâneos, contra o qual respostas simplistas, tanto da velha esquerda, quando da velha direita, não surtiram efeitos. Sem um pensamento focado na sustentabilidade, dentro da complexidade que é admitir a necessidade de um Estado Mundial aliado à políticas de planejamento familiar em plano global, pouco restará a não ser admitir as respostas esperadas de hoje: mais cercas, mais fronteiras, mais armamentos.