O Pêndulo da Força, entre Hobbes e Rousseau

Os homens nascem bons e a sociedade os corrompe ou eles nascem em estado da natureza e as regras sociais os fazem aderir à ética da vida organizada? Esse pode ser um debate infindável entre os adeptos de Hobbes ou Rousseau. Uma terceira via sustentável precisa ir além desses compartimentos estanques, pois ambos os autores podem ter suas razões aplicáveis ao papel do Estado de Direito à Sustentabilidade, em níveis diferentes de realidade.

Por isso é importante que, para se fazer uma análise de sustentabilidade, a metodologia transdisciplinar seja aplicada, uma vez que, a realidade é complexa e tudo depende do ponto de vista dos níveis de realidade observados, daí a necessidade de uma integração dialética inclusiva.

Nesse sentido, um Estado de Direito à Sustentabilidade requer a aplicação do "Pêndulo da Força", na consecução de seu papel de organizador e pacificador da sociedade. O Pêndulo da Força é essencial ao equilíbrio social. 

Não importa se os homens nascem bons ou maus, se a sociedade os corrompe ou não, pois cada individualidade é um nível de realidade e cabe ao Estado e à sociedade fornecerem condições de desenvolvimento positivo a todos: uma perspectiva a la Rousseau.

Por seu turno, o controle da paz social, da criminalidade e da evitação da quebra das regras sociais deve ser feito em paralelo a esse processo de desenvolvimento humano: uma perspectiva a la Hobbes.

Assim, o Pêndulo da Força da ação do Estado deve oscilar entre seu papel de produzir liberdades qualificadas (o desenvolvimento humano), ao mesmo tempo em que também deve levar em conta o uso da força para a manutença da paz.

Enquanto terceira via, entender a necessidade do uso do Pêndulo da Força é essencial à superação de dialéticas excludentes, que não fazem sentido pragmático, enquanto o que se busca é a construção de um modo de vida sustentável à humanidade.

O que se vê, atualmente, é muito mais o problema da ausência de um Estado da Força, aos moldes hobbesianos, capaz de garantir o mínimo de paz social. Essa seria a base a ser esperada para que, o segundo passo de desenvolvimento social possa ser atingido, ou seja, a construção de uma sociedade organizada com liberdades qualificadas.

Sem a base de segurança pública, não há o avanço. Se há o avanço em desenvolvimento humano, é porque há uma base organizada de Estado, capaz de garantir a paz social e a organização e cumprimento das regras. Logo, o problema maior não é o uso da força, mas sim, a sua ausência ou o entendimento de que se pode prescindir da força para construir uma sociedade mais fraterna.

Sem essa clareza na defesa do uso democrático e limitado da força, caminha-se com o câmbio climático para a intensificação do caos social, das disrupturas, da guerra e da ampliação do contingente de refugiados ambientais.

Basta-se se observar o que está a ocorrer em países como o Iraque, cujo regime de força (apesar de amplamente opressivo e não sustentável), foi substituído por um vazio. Esse vazio gerou um estado da natureza, ocupado por disruptores do Isis (Estado Islâmico), focado na total destruição da sociedade.