O Princípio da Extrapolação Sustentada

Tudo, no nível pessoal, segundo a Psicanálise, começa em volição a partir do Ego. Logo, toda ação humana vem do egoísmo, o motor natural do Eros, na busca de alguma das formas de prazer, possíveis de serem construídas na existência humana. Adam Smith, por seu turno, enquanto professor de Filosofia Moral, via no ser humano a questão da ação auto-interessada, ou seja, a indicar que tudo o que é feito por um indivíduo, origina-se na busca de uma auto-satisfação motivada para si mesmo.

Não há nada de errado nesse contexto e essa é apenas uma constatação dos forças inconscientes humanas atuantes na realização existencial de um indivíduo qualquer.

O que merece destaque, em termos de sustentabilidade social, são todas aquelas ações individuais, que se iniciam por força natural dos interesses egoicos e, devido ao esforço e à dedicação empregados naquela ocorrência, acabam por gerar uma extrapolação de nível.

Nesse extrapolação de nível, a obra passa a ser maior que seu criador. O conjunto de esforços e dedicação em um determinado sentido, iniciado por forças egoicas, agora atinge a níveis para além daqueles esperados pelo indivíduo, a produzir resultados sociais positivos a todos.

Um exemplo de extrapolação sustentada é observado na obra de Bill Gates, Wangari Maathai, Thomas Hobbes e tantos outros exemplos da história da humanidade, na qual ações individuais acabaram por transcender a esfera individual e geraram resultados globais em termos de sustentabilidade.

Por isso que, mesmo o egoísmo pode ter seu papel social sustentável, desde que sirva enquanto caminho para o exercício do devido esforço e dedicação a um projeto individual de uma obra a maior. Com o tempo, a tendência dessa ação dirigia será a obtenção de algum grau de extrapolação.

Quanto maior a extrapolação, maior deixam de ser as críticas ao perfil egoísta de um indivíduo. Um médico, por exemplo, que busca formar-se e ganhar muito dinheiro, dedicando-se com afinco à especialização de uma área essencial, acaba por extrapolar, quando sua práxis traz retornos sociais muito além daquilo que lhe é muito bem pago.

É preciso entender essas nuances de incentivo ao mérito pessoal, uma vez que, sem o desejo individual por algum nível de realização existencial para o conforto de si mesmo, conjugado a uma obra a maior, não há caminho para uma extrapolação sustentada venha a ocorrer com o tempo.

Em suma, o que transcende o egoísmo e permite sustentabilidade a ele, nada mais é do que a dedicação e o esforço a uma obra existencial, com possibilidades a maior que seu criador.