Política não é Time de Futebol! Por uma Política Sustentável

Pela Constituição Federal, cada brasileiro tem plena liberdade de filiação a partidos políticos, além do direito de expressar, pelo voto ou candidatura, sua cidadania política. Quando a isso não se discute. Agora, aderir a um partido ou corrente ideológica como se isso fosse um mero ato de adesão mental a um time de futebol, nada mais é do que uma tremendo erro pessoal.

Time de futebol, ganhando ou perdendo, estará lá, sem afetar diretamente a sua vida financeira, a sua liberdade, o seu emprego ou a quantidade de impostos coercitivamente retirados de sua renda. Times de futebol disputam campeonatos repetitivos em períodos de tempo, se não ganhou nessa, amanhã tem mais, mais e mais campeonatos a serem disputados.

Em Política, um erro grave na economia nacional, o avanço da corrupção ou a quebra do Estado Democrático de Direito podem afetar sua qualidade de vida imediatamente e por longos períodos de tempo. Logo, não é algo que você possa aderir assim, despretensiosamente.

Você pode até ser fanático por seu time de futebol, mas não pode ser fanático por uma ideologia ou partido político, pois eles possuem falhas inerentes ao processo de construção de conhecimento humano. 

Lembre-se, a palavra "partido" vem de "partição", logo, ele representa apenas uma parte do todo. Se você for fanático por algo, fechará seu campo de pensamento e perderá a oportunidade de visualizar o conjunto e verificar que, em todos os lados existem propostas e perspectivas úteis a serem somadas na melhoria do todo.

Poderá até ter que se posicionar contrariamente a algo no campo político de sua concordância, mas que, por não ser seguido e aceito por aquela ideologia ou partido, não poderá nem ser debatido entre seus companheiros. 

Não há partidos nem ideologias perfeitas, são seres humanos como você, professando algo no qual acreditam, mas que podem não necessariamente atender a todas as suas necessidades, pensamentos próprios ou as necessidades da realidade atual do país.

Ao cidadão trabalhador, pagador de impostos, o ideal é sempre se manter numa postura "outsider". Ou seja, não aderir a qualquer partido ou ideologia e, por meio da ponderação e do discernimento, ir conduzindo suas opções políticas conforme a dinâmica do desenvolvimento da vida, dentro de um processo de auto-alfabetização política, com crítica, coerência e ética.

Essa é a postura mais sustentável ao cidadão e, salvo se você decidir seguir a profissão política, quando então terá que se filiar a um partido, o melhor é aderir à única partição social que lhe diz respeito imediatamente: você mesmo.