Os primeiros filósofos da humanidade eram aqueles preocupados em entender a natureza. Seu foco era Cosmológico, ou seja, visavam entender a ordem existente no Cosmos. Desde uma origem imutável, para eles, a vida nada mais era do que uma perpétua mudança, caracterizada enquanto o movimento das coisas (Parmênides).
Depois veio a era de Sócrates, Platão e Aristóteles. Com eles, vieram a concepção de que cabe ao homem a busca pelo conhecimento contra a ignorância latente, algo que não pode ser confundido com o sistema de crenças, e que somente pode ser obtido por esforço do intelecto, capaz de superar os enganos de opinião no entendimento do mundo real (uma episteme do devir).
Depois veio a era de Sócrates, Platão e Aristóteles. Com eles, vieram a concepção de que cabe ao homem a busca pelo conhecimento contra a ignorância latente, algo que não pode ser confundido com o sistema de crenças, e que somente pode ser obtido por esforço do intelecto, capaz de superar os enganos de opinião no entendimento do mundo real (uma episteme do devir).
Tais concepções foram impregnadas de religiosidade na Idade Média, quando São Agostinho e São Tomás de Aquino deixam de lado o papel central do ser humano, na busca por respostas e as coloca a cargo exclusivo de um criador mítico, um primeiro motor perante o qual todos devam ser evangelizados sobre sua deferência. Daí a Idade Média ser chamada a Era das Trevas.
Tal visão de mundo só vai ser superada no renascimento e com os filósofos iluministas, cuja função maior é recolocar o indivíduo no centro da busca pela razão. É a partir daí que a humanidade vislumbra um salto de qualidade de vida em sua história, com o surgimento do racionalismo clássico, o qual forneceu as bases para a aplicação do Positivismo e do Cientificismo Moderno.
Surge o chamado período de otimismo no ser humano, no seu papel racional de controlar a natureza e atender as carências sociais. Assim foi com Augusto Comte, fundador das Ciências Sociais fulcrado no lema otimista de que o progresso nada mais era do que uma evolução a ser conduzida pela ciência.
O marco da Revolução Industrial representa essa crença na capacidade racional de produzir um progresso infinito à humanidade, sem consequências colaterais.
Tal marco filosófico racional do progresso positivado somente começa a ser questionado com a Escola de Frankfurt, quando surge a Teoria Crítica a diferenciar razão instrumental de razão crítica.
RAZÃO INSTRUMENTAL
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RAZÃO CRÍTICA
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Razão técnico-científica
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Razão analítica
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Amoralidade científica e ausência de análise dos riscos e externalidades do progresso
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Foco crítico em verificar os perigos e os limites da razão instrumental
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Apenas racionalizar, saber fazer algo e executá-lo
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Pensar nas consequências advindas do que se racionaliza e faz
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Esse é o paradigma fundamental para se poder chegar a uma Filosofia do Discernimento Sustentável, onde todas as opções humanas devem ser tomadas sob a égide da razão. Todavia, discernidas sobre a sua sustentabilidade, entendida como a leitura das consequências dos atos e ações necessárias para a sua mitigação ou reparação.
Por isso que a sustentabilidade deve ser considerada um novo paradigma emergente de se viver. Como ela pode ser aplicada em tudo, desde os atos individuais aos empresariais/estatais, todos os impactos das realizações humanas podem ser discernidos.
Uma vez feito isso, pode-se utilizar da racionalidade humana mais avançada de cada um de nós para se estabelecer as melhores opções de agir, reduzir ou reparar os danos causados. Esse é o caminho ao futuro, o segundo salto de qualidade de vida na história da humanidade.
Uma vez feito isso, pode-se utilizar da racionalidade humana mais avançada de cada um de nós para se estabelecer as melhores opções de agir, reduzir ou reparar os danos causados. Esse é o caminho ao futuro, o segundo salto de qualidade de vida na história da humanidade.