A "Licença Moral" e a Corrupção

A Licença Moral é um mecanismo psicológico de compensação, pelo qual as pessoas, ao fazerem uma boa ação, ou ao adotarem um posicionamento ideológico politicamente correto, acabam por compensar tal ato como uma autorização psicológica (retirada de culpa) para um desvio moral à frente.

Por exemplo, defendem arduamente os pobres, mas usufruem de regalias com dinheiro público que, por via de consequência, irá prejudicar exatamente aqueles que foram defendidos. No entanto, na mente desse indivíduo, suas ações beneméritas ou opções "politicamente corretas" são uma "absolvição" ou justificação para seus atos.

A Licença Moral não é só verificada nessas questões de corrupção externa, mas também serve a mecanismos internos de compensação. Assim, o indivíduo deixa de jantar e, como compensação, ingere grande quantidade de doces, como se isso evitasse os danos decorrentes dessa escolha.

Outrossim, o indivíduo que faz a defesa do meio ambiente em seu discurso, mas utiliza de produtos altamente poluidores. Tais atos são claras demonstrações do mesmo mecanismo psíquico da licença moral em curso.

O problema maior da corrupção está no alcance dos atos, sua ilegalidade para além da imoralidade compensatória. Há algo extremamente indevido e desproporcional nessas escolhas. Além do auto-engano, nesses casos também há a presença de psicopatia, cuja compensação é criminosa.

Por exemplo, alegações de que "os fins justificam os meios", tendo em vista uma ação ilegal em prol de uma causa libertária, nada mais são do que licenças morais utilizadas para auto-justificar crimes, retirando a culpa, a partir de uma pretensa compensação possível de se fazer.

Tais raciocínios são incorretos, São sofismas com lógicas falseáveis, sem qualquer correção ou discernimento perante a realidade, a ética e as leis. 

Desse modo, para quem não quer agir sem consciência desse mecanismo de licenças morais ou se livrar definitivamente dele, é importante verificar a coerência de seus discursos e de suas ações. Quem defende a liberdade, a paz, a emancipação das pessoas, a igualdade, o bem-estar e a dignidade humana, deve verificar se todos seus atos são realmente compatíveis com esses discursos.

Com o teste de sua realidade, uma vez verificado incoerências entre discursos e práticas, é importante observar as justificativas íntimas e sociais para tais comportamentos. Aqui é necessário ter despojamento e abertura a se auto-enfrentar e admitir suas falhas.

Sem isso, vai se continuar a utilizar as licenças morais. Mas uma vez detectadas e verificas enquanto incorretas , resta então buscar ir ampliando a coerência entre discursos e práticas, cada vez mais e mais, até eliminar totalmente as falhas morais verificas em si.