A Razão Sustentável: por uma Escola Pós-Frankfurtiana na Academia

A Escola de Frankfurt fez sua contribuição histórica ao questionar a "Razão Instrumental", ou seja, a paradigma amoral de que o cientificismo e a constante evolução científica seriam conquistas humanas isentas de equívocos, por seus potenciais desvios e danos colaterais causados.

Nesse sentido, a Escola de Frankfurt estabelece um processo de questionamento do excesso de otimismo na crença de que os meros avanços tecnológicos e científicos são sempre benéficos. Para tanto, tal escola propõe a chamada "Razão Crítica", que assim pode ser diferenciada da "Razão Instrumental":

RAZÃO INSTRUMENTAL
RAZÃO CRÍTICA
Razão técnico-científica
Razão analítica
Amoralidade científica e ausência de análise dos riscos e externalidades do progresso
Foco crítico em verificar os perigos e os limites da razão instrumental
Apenas racionalizar, saber fazer algo e executá-lo
Pensar nas consequências advindas do que se racionaliza e faz

Como já dissemos em post anterior, há que se buscar atualmente uma "Filosofia do Discernimento Sustentável", pois enquanto a contribuição da Escola de Frankfurt limitou-se a estabelecer o necessário criticismo ao cientificismo instrumental, não trouxe as bases para algo além. O ponto falho (e crítico) foi passar a aceitar enquanto ciência a mera produção crítica, sem responsabilidades do pesquisador em ir além e apresentar soluções ao que critica.

Esse algo além requer o discernimento necessário a construção da Razão Sustentável. Ou seja, não basta criticar ou apontar os erros dos avanços científicos, cabe ao pensador, ao cientista, ao pesquisador, ao acadêmico, ir além da crítica, ele deve construir soluções sustentáveis, respostas aos problemas apontados no caso concreto, quando critica algo.

Tais soluções devem se ater ao Princípio do Desenvolvimento Sustentável, cuja materialização prática se perfaz com a sustentabilidade, que nada mais é do que a aplicabilidade do princípio ao caso concreto, com efetivos resultados em termos de mitigação, eliminação ou reparação dos danos causados, por ações instrumentais humanas sobre o meio.

Trata-se de uma "Razão Sustentável", que se aplica ao próprio devir existencial do cientista, ser ciente e atuante sobre o meio não só com suas descobertas e inventos, mas também com sua própria vida privada.

Vencer o padrão de mero criticismo acadêmico por um proposta de construção prática e aplicada de sustentabilidade após cada crítica realizada, é o desafio proposto a todos aqueles envolvidos na produção do conhecimento humano e da razão coletiva.