A Insustentabilidade do Comunismo em 5 Planos

O Comunismo, enquanto proposta utópica final de uma sociedade mais justa, igualitária e distributiva existe apenas enquanto hipótese teórica, cuja refutação é possível se fazer por dados objetivos, a partir de uma análise multidisciplinar da sustentabilidade.

Em primeiro plano, há o problema da sustentabilidade ambiental da proposta. Não há recursos naturais suficientes para se garantir um acesso igualitário a bens de consumo, nos moldes atuais propostos pela cultura de massa global. Com uma população mundial em torno de 8 bilhões de pessoas, qualquer esforço para produzir mais acesso distributivo à renda esbarrará na escassez de recursos naturais, necessários para a inclusão de mais pessoas na sociedade de consumo. 

Por seu turno, o atual uso dos recursos naturais do planeta ultrapassa a capacidade de suporte do meio planetário, de manter-se em equilíbrio e reciclagem constante da vida. Com isso, a cada ano perdem-se mais recursos naturais na medida em que cresce ilimitadamente a sua exploração.

Em segundo plano, não há planejamento familiar que impeça o aumento exponencial dos nascimentos nos países de menor desenvolvimento, cujo quadro tende a se agravar com o tempo e, tendo em vista a deterioração dos recursos naturais, impactará cada vez mais em aumento das populações já expostas à vulnerabilidade econômica, social e ambiental.

Em terceiro plano, o ser humano possui uma psiquê focada no desejo, na busca pela saciedade de suas necessidades individuais. Não há como se limitar o desejo, pois isso é inerente ao viver. A busca é parte da estruturação psíquica do indivíduo, que a realiza encaminhando suas forças emocionais às realizações existenciais dos desejos. Tais realizações causam impacto sobre o meio e, com a capacidade de suporte ultrapassada e o contingente de nascimentos em progressão contínua, não há recursos, nem espaços para o atendimento dessas demandas por mais realizações.

Em quarto plano, o resultado dessas privações geralmente resulta em consternações sociais, revoltas, conflitos e caos. Como consequência a todo o caos instalado, a busca por ordem leva ao surgimento de grupos armados, dominantes, que impõe sua vontade e suas necessidades sobre os demais por "manu militari". Em tais condições sociais, a vulnerabilidade aumenta para grande parte da população submetida ao controle impositivo daqueles que detém o poder e garantem para si a melhor parte dos recursos existentes.

Em quinto plano, a visão utópica de que existe um ser bondoso e generoso em cada ser humano cai por terra quando as necessidades básicas de sobrevivência e conforto estão ameaçadas. Nesse momento, ressurgem as leis básicas de autodefesa e autotutela, do conflito social de todos contra todos em busca de satisfazer suas necessidades de sobrevivência. 

Por tais pontos, uma coisa é atuar por si e buscar construir um mundo melhor e mais justo, distribuindo e contribuindo para uma sociedade mais justa com sua ação individual assistencial. A outra coisa é buscar construir um projeto de poder no uso do Estado, cujo resultado como historicamente demonstrado, roga por mais insustentabilidade nos tempos atuais.