Sem analisar méritos ou deméritos, uma das célebres frases que revelam a personalidade anti-sistema de Che Guevara é: "si hay gobierno, yo soy contra". Essa frase leva a uma necessária análise de coerência das posturas ideológicas na atualidade. Ser revolucionário e defender quem está no poder e domina o sistema, ou ainda pior, ser revolucionário e receber do sistema para fazer sua defesa é algo totalmente incoerente e reflete uma conduta insustentável tendente a produzir mais do mesmo no tempo.
Senão vejamos. O que almeja um pensamento revolucionário? Geralmente uma conquista altruísta, a melhoria das condições de vida das pessoas na sociedade, o fim da exploração econômica e das desigualdades, assim como a liberdade, a felicidade e a queda de qualquer forma opressiva e de controle social. Não é Isso?
Pois bem, mas como se obter essas melhorias em se mantendo o sistema, fazendo parte de sua existência ou ainda recebendo para defender a facção que está no poder? Não há coerência nessas posturas, qualquer sistema de poder é feito por pessoas que, em parte dos casos, tem seus interesses pessoais e defeitos, por trás das ideologias manifestas.
Esse nível de insustentabilidade social é fácil de constatar a partir de dados efetivos: corrupção, apropriação de recursos e vantagens do Estado (auxílios-moradia, etc), desorganização da economia em prol de interesses de determinados grupos econômicos amigos.
Pior do que isso, onda há um sistema concentrado, vale aquela velha máxima: "onde há poder, dinheiro e status, haverá também psicopatas e paranoicos infiltrados". Não se pode esquecer desse detalhe, pois essa classe de pessoas transtornadas, apenas visa seu próprio benefício e são diretamente atraídas a atuar nessas esferas, onde podem realizar seus desejos amorais e imorais.
Tenha sempre em mente que psicopatas e paranóicos são especialistas em se aliar a quem está no poder e sua única missão é manter o sistema e as vantagens que recebem.
Psicopatas geralmente atuam nos bastidores do poder, pois sabem que se expostos, podem ser pegos e isso não interessa a eles. Logo, sua adesão a determinadas facções e seu posicionamento a favor delas é demagógico. Repetem qualquer discurso com tranquilidade e sem crises morais, pois não possuem restrições em sua estrutura emocional. Daí sua facilidade em transitar pelo poder e aliar-se a quem está no mando. Só ficam em cima do muro, enquanto esperam para ver em qual direção o poder se encaminha. A partir de então, assume os lemas da facção e seguem com ela para obter o que desejam: mais poder, dinheiro e status.
Paranóicos são diferentes, já que querem estar à frente. São inteligentes, mas se consideram especiais além dos demais, geniosidades humanas e se hipervalorizam, por isso, quando não conseguem o que querem, vitimizam-se ou se tornam agressivos. Justificam seus atos por serem perseguidos por complôs imaginários e grandiosos. Sua megalomania os faz acreditar radicalmente em posicionamentos da facção e de quem fazem o bem, mesmo que nada indique isso. Não se engane, querem poder acima de tudo e, uma vez modificado o quadro, não exitaram fazer de tudo para ficar no controle: qualquer tipo de adaptação, cometer crimes ou até agir contra o Estado de Direito.
Pessoas com traços desses transtornos, mesmo que não sejam diagnosticados enquanto psicopatas ou paranóicos, tendem a ser revolucionários de plantão e, por suas deficiências emocionais, não conseguem discernir com a coerência necessária e a consciência de que, todo sistema social tem vencedores e vencidos e num planeta superpopuloso, a escassez comanda e não há recursos naturais para todos.
O que diferencia um sistema do outro é o grau de bem-estar, qualidade de vida e desenvolvimento humano permitido em cada um dos sistemas. E apesar de ser uma ilusão achar que um sistema perfeito possa existir, psicopatas e paranóicos trabalharam sempre nesse sentido, na defesa de seus interesses, em primeiro lugar.
Logo, sustentabilidade social depende de que, a coerência individual seja mantida intacta com o passar do tempo e que, por vezes, a função de um pensamento revolucionário não-psiquiátrico não é de ocupar o poder, mas sim, de se manter sempre na oposição de quaisquer das facções que o domine.
Estar acima e sobrepairar bandeiras é a única forma de se manter coerente, sem aderir a ideologias fechadas. Há que se lembrar que o ser humano é falível e que, qualquer iniciativa humana e social pode apresentar erros, a serem corrigidos sempre, por outras formas de ver e construir a realidade.
Revolucionários autênticos são outsiders, ao possuírem cognição suficiente para entender seu importante papel social assistencial a ser desempenhado no curso da história. Se há governos, sejamos cidadãos independentes e pró-ativos, sempre contra a perpetuação do mais do mesmo. Assim se faz sustentabilidade social, assim você contribui para melhorar a sociedade.