Satélites órfãos geralmente são alunos medianos de universidades públicas, com algum tipo de vulnerabilidade social que, no transcurso da faculdade, recebem algum tipo de soerguimento existencial no controlado ambiente universitário e se entorpecem por suas teses humanistas e emancipatórias ali teorizadas, debatidas e defendidas.
Não obstante, tais alunos são os que sofrem o maior "baque existencial" ao final dos cursos, quando são devolvidos à realidade do mundo fora dos ambientes universitários controlados e passam a ter que enfrentar dos dilemas, desafios e concorrências inerentes à vida como ela é.
Daí que, com o seu fracasso e desalento em face da aridez da realidade, tentam retornam e passam a volitar como satélites em torno do ambiente universitário, procurando formas e possibilidades de sentirem-se novamente acolhidos e soerguidos a um grau de respeito, dignidade e individualidade, que não é facilmente encontrado fora dali.
A terapêutica dos satélites órfãos não é fácil de ser fazer. Ela deve ser profilática e preventiva dentro do meio universitário. Os alunos devem ser estimulados ao desafio, ao mérito das vitórias individuais, ao gosto pelo esforço e pela auto-conquista de realizações pessoais. A capacidade deve ser estimulada, os dons individuais, os perfis de cada um para aquilo que podem desempenhar com melhor afinco e prazer.
Trata-se de soergue-los enquanto revolucionários de si mesmos, na construção de um futuro melhor para si, em primeiro lugar, para que, pro via de consequência, então seja possível atingir impactos sociais de melhoria a todos os demais.
Longe de ideologias vazias, a ocorrência dos satélites órfãos é um sinal claro de que o caminho não está correto. Um aluno jovem, recém formado, não pode viver de migalhas de seu passado formacional. Não pode se vitimizar pelas dificuldades da realidade. Seu caminho deve ser outro, da busca de vitórias, do esforço pessoal dirigido à sua efetiva emancipação profissional e de novos desafios, para além das órbitas já vencidas.