Infantilismo e Pensamento Mágico na Era dos Direitos

Querer, o verbo do desejo, move a existência humana. Viver é desejar, querer obter novas conquistas, vivências, coisas. Na Era dos Direitos, querer não é somente algo subjetivo voltado aos interesses individuais, é também uma bandeira social, querer algo que possa melhorar a sociedade e a vida em comunidade. Geralmente, o devedor desses desejos sociais, a quem são endereçadas as demandas, é o Estado, em todas as suas esferas.


Aí começa o problema, pois o Estado Social, nos moldes atuais, já desempenha muitas incumbências na área social, especialmente nos cinco principais focos de sua atuação: Saúde, Educação, Segurança, Jurisdição e Seguridade Social.

Sobrecarregado como está dessas incumbências, não tem como agregar novas a suas obrigações, sem que para isso recorra a novos impostos, empréstimos de dinheiro ou, na emissão de mais moeda. Mais impostos retiram renda da sociedade. Empréstimos hipotecam o futuro, uma vez que deverão ser pagos mais a frente, com a mesma quantidade de impostos e despesas em curso. Emitir mais dinheiro aumenta a base monetária e isso gera inflação de preços.

Assim, surge a imagem do cobertor curto, a limitar as possibilidades desse Estado, no atendimento de todas as demandas sociais por mais e mais direitos. Resta o chamado princípio da reserva do possível, pelo qual o Estado opta e limita o atendimento das demandas existentes a aquilo que é permitido, dentro do orçamento existente.

Se há responsabilidade fiscal, tais gastos estarão limitados e não haverá déficit público, ou seja, haverá sustentabilidade orçamentária, sem a necessidade de mais impostos, empréstimos ou emissão de moeda.

Não obstante, quem pleiteia mais direitos, geralmente não age com a consciência dessa racionalidade acima. Quer, assim como uma criança quando deseja um doce, obter o atendimento de sua demanda social. Para tanto, aos moldes infantis, pode realizar atos de birra, manha e até agressão em face da frustração de seu pleito.

Tais pessoas, limitam sua racionalidade ao pensamento mágico de que o Estado, devedor de direitos, deve arcar com todas as demandas, independente de condições orçamentárias sustentáveis para tanto. Uma vez não atendidas, defendem seus atos, manifestos e até balbúrdia pública, como justificáveis em razão dessa omissão em lhes conceder os direitos demandados.

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