O Pêndulo do Sustentável entre a Economia Social e a Liberal

As Teorias Econômicas Liberais e Sociais, apesar de aparentemente antagônicas, são complementares, se suas aplicações práticas pelos governos forem observadas nos ciclos temporais. Desse modo, pode-se dizer que não existem ciclos sociais que se perpetuem, assim como não existem ciclos liberais no mesmo sentido. É a alternância desses modelos que traz a devida sustentabilidade à macroeconomia de um determinado país. Entenda o porquê a seguir.



Quando há um ciclo liberal, o Estado tende a buscar diminuir sua interferência na economia, abrindo assim, espaço para que a iniciativa privada e a sociedade civil ocupem o território produtivo e da geração de riquezas. 

O ciclo liberal geralmente se faz pela privatização de bens públicos não-essenciais (ex. venda de estatais, propriedades e outros bens do Estado), redução das intervenções do Estado na sociedade (redução de gastos públicos e de controles de atividade econômica) e pelo apoio ao desenvolvimento da infraestrutura e criação de um ambiente de negócios favorável à iniciativa privada.

Durante esse ciclo, a tendência é a expansão da esfera privada, a produção de riquezas, o ganho de produtividade e o aumento do mercado, impulsionado pelos agentes econômicos livremente em disputa por seus ganhos.

Paradoxalmente, aí surge o grande problema do liberalismo. A livre competição de mercado entre os iguais e os desiguais, pode levar a uma acentuação das desigualidades, tendo em vista que as habilidades, as possibilidades e o controle do capital e das propriedades, estarão cada vez mais concentrados nas mãos dos vencedores do mercado.

Por seu turno, é nesse momento que surge o espaço para um novo ciclo social, com a eleição de um governo voltado à intervenção economia e redistribuição de renda, visando atenuar as desigualdades geradas no ciclo anterior. Esse ciclo é caracterizado pelas políticas afirmativas em prol dos grupos mais vulneráveis visando corrigir os efeitos negativos dos ciclos liberais.

Porém, o Estado Social, aparentemente mais benéfico a todos, pois visa atender aos vencidos, que são o maior grupo, e não somente aos vencedores, demanda cada vez gastos dos recursos financeiros do Estado até se chegar aos limites de sua capacidade de suporte fiscal, pois as demandas são infinitas.

Ou seja, começa-se a gastar mais do que se arrecada em termos de impostos. Quando isso ocorre, a primeira saída é aumentar os impostos. A segunda saída é pedir dinheiro emprestado no mercado, a partir da venda de títulos públicos. A terceira, é emitir mais dinheiro (papel) e com isso gerar mais inflação. 

Tais saídas não são satisfatórias, uma vez que, ao se aumentar os impostos, retira-se renda da sociedade como um todo e assim, diminui-se o consumo e a produção de riquezas. Ao se pedir dinheiro emprestado, uma hora este deverá ser pago, acrescido dos juros. Gerar inflação, o chamado imposto corrosivo, atinge principalmente os mais pobres, que não possuem defesas contra o aumento dos preços.

Chega-se então, ao final de um novo ciclo, o qual passa a requerer uma nova onda liberal, visando equilibrar as contas públicas, reduzir a inflação e permitir um novo ciclo de crescimento econômico, movido pela iniciativa privada.

Quanto mais lucidez se tiver quanto à necessidade dessa alternância, mais noção de sustentabilidade e coerência haverá no discurso político e individual. Claro que é muito mais fácil, cômodo e até leviano, apenas defender a Economia Social. Soa bem em público, a pessoa posa de defensor dos vulneráveis, paladino do bem e detentor do monopólio das virtudes.

Agora, ter coerência de que o liberalismo é necessário quando surge uma crise decorrente dos excessos de gastos do Estado Social requer consciência e racionalidade em prol da defesa de toda a sociedade, pois a continuidade da destruição da economia pelo gasto populista insustentável só interessa a quem acomodou-se em suas mazelas e regalias auferidas ao estar no poder.

Porém, mais além de tudo isso está a sustentabilidade, a noção de Economia Sustentável, na qual é a capacidade de suporte da economia, o guia dos limites e das possibilidades, que requer a defesa dos ciclos alternáveis, liberal e social. 

Como tudo na vida tem seu tempo, o adiamento de mudanças entre o final dos ciclos apenas implica que, quando elas vierem, o custo do ajuste ao novo ciclo será cobrado com os juros devidos por seu atraso. Ou você ainda acha que leis econômicas podem ser reinventadas pela pretensa "boa vontade" de quem está no poder. Vide Venezuela e tire suas próprias conclusões sobre sustentabilidade.