Nos últimos anos, foi possível observar como a extrema esquerda brasileira conseguiu aparelhar as mentes inocentes, com seus dogmas de dominação cultural, embasada na defesa de discursos igualitários, muitos dos quais nunca cumpridos por seus ídolos na história. Agora surgem os arautos da Justiça, ou seja, os fanáticos de extrema direita, defensores de lemas abstratos como Ordem e Combate a Corrupção, sem a mínima noção de que servem a outro projeto político de dominação: uma ditadura de direita.
Como já dizia Freud, o teste de realidade é algo essencial para avaliar a neurose ou psicose do indivíduo, de maneira a saber qual seu grau de adesão ao imaginário individual ou coletivo, desfocado do discernimento e da realidade que o cerca.
Trata-se de saber o seu grau de fantasia, muitas vezes guiada por sua baixa estima e ausência de discernimento, a partir de uma inoperância individual perante o mundo, a qual leva a escolhas ideológicas questionáveis, com o fito de agregar autoestima e pertencimento a salvacionismos de todos os tipos.
Tais fanatismos não são novidade. A história está repleta de pretensos heróis, a maior parte deles sempre justificando seus meios por seus fins, como se ao final de tudo, fosse possível chegar a um mundo perfeito, dentro de um modelo higienista de limpeza moral da sociedade a la Robespierre.
Mas a coisa não é bem assim, quando se está num Estado Democrático de Direito. Como o próprio nome diz, neste modelo deve prevalecer a democracia. Há que se entender que, só a democracia permite, numa sociedade complexa, um constante embate entre forças antagônica, interesses, ideologias e diferenças, dentro de um jogo político essencial a se evitar a barbárie e a guerra civil.
Fanáticos não entendem a importância da política na sociedade complexa, querem uma pretensa igualdade utópica, uma purificação a partir de sua visão de mundo genial e mais correta. Trata-se de um sintoma claro de traços paranoides, presentes em todos os pretensos heróis.
Mudar as regras, no Estado Democrático de Direito faz parte do jogo político, quando os representantes eleitos, fazem as vezes da população, trazendo ao Legislativo as propostas de modificação a partir dos anseios dos grupos de pressão social.
Mudar as regras, no Estado Democrático de Direito faz parte do jogo político, quando os representantes eleitos, fazem as vezes da população, trazendo ao Legislativo as propostas de modificação a partir dos anseios dos grupos de pressão social.
Todas as reivindicações são válidas, porém, desde que respeitados certos limites constitucionais, uma vez que existem prerrogativas de cidadania e limitação do poder dos agentes do Estado, construídas com muito sacrifício e lutas na histórica, cuja presença é essencial à própria existência deste modelo de Estado Democrático de Direito.
O que os fanáticos de todos os pólos religiosos da política não admitem, é que esses limites devem ser respeitados e não podem ser violados. Para eles, o rompimento do tecido constitucional seria apenas um mal menor, perante seus fins a serem implementados.
E mesmo que arbitrariedades de todas as montas sejam possíveis a partir do rompimento do tecido constitucional, esse seria um preço menor a ser pago pela purificação salvacionista. O que as mentes dos fanáticos parecem não compreender e que tal preço menor recairá sobre suas vidas, em termos de perda de liberdade, autoritarismo e quiçá, uma futura ditadura de direita.
E mesmo que arbitrariedades de todas as montas sejam possíveis a partir do rompimento do tecido constitucional, esse seria um preço menor a ser pago pela purificação salvacionista. O que as mentes dos fanáticos parecem não compreender e que tal preço menor recairá sobre suas vidas, em termos de perda de liberdade, autoritarismo e quiçá, uma futura ditadura de direita.
Pior ainda, quando os arautos da Justiça são os próprios detentores dos cargos públicos e ousam instigar a população contra os outros poderes do Estado, sob o manto de uma legitimidade social adquiria sobre os seus bons serviços remunerados prestados à sociedade.
Serviços públicos que, diga-se de passagem, refletem apenas o mero cumprimento exigido de seus deveres funcionais, para os quais foram muito bem remunerados com salários e outras vantagens (questionáveis para quem recebe subsídio), a maior que 99% da renda dos demais brasileiros.
Você pode ser a favor do combate a corrupção e elogiar o trabalho por eles realizado, porém, não pode, por endeusamento ou fanatismo, isento de discernimento e crítica, ou ainda, na completa ignorância do que se trata, defender medidas contra a corrupção, das quais não entende bem, só porque vieram de determinada pessoa ou grupo. Isso refletirá sintomaticamente sua adesão a essa fantasia messiânica.
A cada novo salvador da América Latina, novos problemas são agregados por seus excessos contra o Estado Democrático de Direito. Nesse sentido, vale a pena ler o posicionamento lúcido e consciente de um membro de Ministério Público sobre tais excessos (clique aqui).
Ou ainda, para os que são submissos, em suas fantasias, às autoridades fálicas paternas, a visão de um Juiz de Direito, sobre como o combate o excesso inexpugnável à corrupção sem limites legais, na verdade, abre espaço a mais corrupção (clique aqui).
Grande exemplo disso é a proibição da doação de empresas em campanhas políticas pelo STF, a qual somente fez surgir espaço para mais doações ilegais e ainda, com a colaboração do crime organizado, por sua capacidade paralela de organizar a circulação de recursos econômicos clandestinamente.
Se você quer sair do seu umbigo fanático religioso/político, basta começar a fazer seu trabalho de casa. Estude, leia posicionamentos críticos de todas as vertentes, não vá com a manada. Deixe de ser um inocente útil à dominação (de esquerda ou direita) e passa a ser um cidadão crítico. Questione. Só assim você estará contribuindo para o desenvolvimento da cidadania.
