A Prevenção da Personalidade Revolucionária e do Pensamento Disruptivo

Uma das ocorrências mais preocupantes no atual estágio complexo das sociedades atuais, está na estruturação de personalidades revolucionárias e as consequências disruptivas, psico e sócio patológicas, dessa ocorrência, especialmente sobre a camada mais jovem da população.
É normal ao desenvolvimento da personalidade, durante a fase da adolescência, a adoção de comportamentos questionadores, a representar a chamada "fase da rebeldia", quando o indivíduo busca na contradição aos genitores ou quem simbolicamente a eles pareça representar (Sociedade/Estado), a afirmação de sua identidade.

Porém, ser rebelde, enquanto comportamento normal desta fase do desenvolvimento da personalidade, não significa adotar características revolucionárias. Personalidades revolucionárias vão muito além de qualquer rebeldia juvenil, pois adentram ao campo das pulsões destrutivas, de enfrentamento, por meio da violência, real ou simbólica, de todas as estruturações sociais que possam representar uma forma de castração à sua personalidade, geralmente em transtorno borderline, paranoico, psicopático ou traços perceptíveis deles.

Revolucionários, neste sentido, não são pacíficos, uma vez que seu objetivo transtornado em delírio, é destruir o que é existe e implantar, independente da aquiescência dos demais, um modelo de controle social da forma como entendem ser mais correta, aos seus anseios subjetivos de onipotência não castrada, em oposição à estrutura civilizatória construída.

Para tanto, os meios não importam, uma vez que os fins, seriam um bem maior a ser obtido ao final do processo revolucionário, seja lá o que entendem subjetivamente ser o melhor para todos. Logo, mortes, corrupção, tortura, apropriação do patrimônio alheio são apenas meios que, se necessários aos fins propostos, ganham a justificativas "purificadoras" de ocorrerem.

Para psicopatas, este caminho também será útil a obtenção de seus fins unicamente egoístas, pois a ruptura da estrutura social, da ordem e do Estado de Direito, facilitam seu acesso ao que desejam. Logo, participam do processo de destruição sem pudores morais e sem qualquer problema em dizer-se fiel a qualquer ideologia, desde que, verifiquem resultados efetivos aos seus desejos.

Se a adolescência é a fase normal da rebeldia, nunca será normal a psicose ou a psicopatia revolucionária. Desse modo, o problema não está na existência da rebeldia juvenil, mas sim, na sua canalização ao pensamento revolucionário disruptivo, que é feita conscientemente por líderes psicóticos e psicopatas.

Aqui sim há um grande risco disruptivo, pois ao se canalizar indevidamente aquilo que seria normal aos adolescentes viverem em forma de questionamentos e rebeldia, acaba por se exceder ao patamar de adesão à psicopatologia revolucionária, a influenciar suas conduta em direção às pulsões destrutivas, muitas vezes, camufladas em falsas propostas da fazer o bem.

Freud já havia estudado essa ocorrência na obra "Além do Princípio do Prazer", ao analisar os prazeres destrutivos vivenciados pelos nazistas alemães durante a 2.ª Grande Guerra Mundial, e como os seus líderes conseguiram manipular toda uma próspera nação à destruição e ao apoio ao cometimento de genocídio judeu.

Sim, pulsões de morte também podem resultar em prazeres, formas de satisfazer e canalizar as energias da vida, à destruição, ao invés das realizações, de forma que a maldade que existe no inconsciente sombrio de cada um emerja sob o pretexto de estar fazendo a coisa certa, ou ainda, eliminando-se os controles civilizatórios do Superego (instância mental do julgamento moral), por negação. Por exemplo: verifique as justificativas para a ocorrência de corrupção ou alguma forma de negação de sua ocorrência.

Como não se pode manter a manipulação de massas por grande tempo, chega-se à fase da depuração, quando os excessos vêm à tona e parte daqueles que foram manipulados acordam de seu delírio induzido. Chega-se à hora da verdade nas revoluções, quando até os próprios aliados são eliminados ao primeiro sinal de questionamento e disputa pelo poder. Assim exemplarmente o fez Robespierre, durante a Revolução Francesa, eliminando a todos até acabar sendo também eliminado. Outro exemplo é a Venezuela, onde 88% da população, empobrecida e faminta, enfim está majoritariamente contra o regime ditatorial e não foi votar para a formação de uma nova assembleia constituinte.

Para estudiosos da Teoria do Caos, somente o auge da disrupção poderia desencadear o retorno à ordem, quando então, as personalidades revolucionárias são banidas para nunca mais serem esquecidas. Assim ocorreu na Alemanha e, porque não dizer, em toda a Europa ocidental, que sofreu os horrores da guerra.

Para espiritualistas, tratam-se dos mesmos espíritos revolucionários, expurgados das terras europeias e agora imersos em outros espaços planetários, onde viveram suas últimas oportunidades de reencontro com a paz e abandono de suas índoles destrutivas, cuja pena pela "temosia" de suas condutas negativas será a "transmigração" a outros planetas menos evoluídos.

Para a Psicanálise, a saída estará na prevenção do desenvolvimento de personalidades revolucionárias, a partir do esclarecimento sobre a destrutividade do pensamento disruptivo, dentro de um processo pedagógico de encaminhamento dos jovens ao seu melhor, às potencialidades que trazem inatas em si, aos sonhos e esperanças daquilo que pode ser construído positivamente em suas vidas individualmente. Podem ser o que quiserem, desde que se dediquem, com esforço e afinco às realizações, canalizando suas energias às pulsões de vida, sem que, para tanto, tenham que almejar destruir a civilização em que vivem.

Rebeldes construtivos sonham e quantos não são os que dedicam suas vidas a viver e a defender suas ideais, com fins de melhorar da sociedade pelo seu esforço individual, mas respeitando a diversidade e liberdade. Nesses casos, o grande diferencial com os revolucionários estará na ausência de confronto à ordem estabelecida, em se respeitar a estruturação civilizatória, apesar de suas escolhas individuais serem inovadoras, progressistas e questionadoras, com as quais modelam suas próprias vidas para o melhor.

Ou seja, é a égide do indivíduo que determina seu destino com ou a par da civilização em que vive, construindo uma nova realidade sem buscar destruir o que já existe ou subjugar, confrontar e querer controlar quem nada quer neste sentido. Este é o grande diferencial entre uma pulsão construtiva e uma destrutiva. Como se estabelece em Psicanálise, o limite entre a realidade e a fantasia está na resposta à seguinte questão individualmente: meus desejos fazem mal a mim ou fazem mal a outrem? 

Se você respondeu não ao primeiro quesito e quer seguir sua vida da maneira como desejar, ótimo, você é um rebelde construtivo. Se alguém respondeu não a você, que não aceita suas ideais, pelo que elas afetam a vida dos demais em sua livre determinação e, mesmo assim, ainda queres domar o mundo para impor seus ideais, será a hora de rever a tempo, tais pensamentos disruptivos antes que se torne uma personalidade revolucionária.