O Abuso do Politicamente Correto: psicóticos e histéricos a serviço dos perversos

Primeiro, há que se entender a real necessidade de um campo ético e esperado das relações humanas onde há o respeito ao outro, suas necessidades de amar e ser amado, realizar-se e ser aceito na coletividade com igualdade de condições, possibilidades e liberdade, sem preconceitos de qualquer tipo. O Politicamente Correto a ser criticado aqui seria o excesso, o abuso da admoestação alheia, a partir de uma vertente radical de controle social daquilo que é diferente, diverso e, logo, uma forma invertida de preconceito, uma forma velada de censura moral, geralmente realizada contra quem diverge de sua ideologia, preferência e visão de mundo.
O Politicamente Correto enquanto doutrina de controle social, visa criar aquilo que Maquiavel orientava em sua obra "O Príncipe": "coloque seus amigos próximos de você e seus inimigos, o mais próximo ainda". Aprimorado por Leon Trotsky, o politicamente correto serve na estratégia de dividir para conquistar, criando diferenças e demarcações pessoais, capazes de gerar afastamento e conflitos intersubjetivos, para fins de controle social e, logo, domínio do poder.

Aqui que entram os perversos, enquanto indivíduos com deficiências de estruturação psíquica do Superego (instância moral do inconsciente individual), criado a partir da introjeção das regras éticas (morais e jurídicas) esperadas do indivíduo em seu desenvolvimento normal da personalidade. No caso, tais perversos desenvolvem o que seria chamado de "sociopatia", ou uma ausência de regras éticas introjetadas sobre a forma de lidar com o trato social. Sua índole, seria a de obter o poder social pelo controle do Estado e assim, realizar todos os seus desejos perversos de onipotência e dominação sádica dos demais indivíduos sob o seu julgo social.

Na prática, um perverso fará de tudo para obter o poder, a dominação e realizar seus desejos, mesmo que, para isso, tenha que destruir a civilização, sua estruturação e regras de equilíbrio, igualdade e liberdade. Claro que, para tanto, não poderá manifestar suas intenções manifestas, deverá, ao contrário, ocultar seus reais interesses e conduzir os demais, com um instrumental dialético de bondades, em erro e auto-engano até conseguir obter o que deseja.

Um dos instrumentos para tanto é o uso da censura do politicamente correto, ao manipular as mentes daquelas personalidades mais susceptíveis de indução, para que, em bloco, usem dessa força das massas manipuladas contra quem ousar discordar do sistema, do discurso validado ou mesmo do líderes perversos.

O controle das massas se faz pelo apropriação das mentes das personalidades mais fragilizadas, geralmente com traços psicóticos ou borderlines, ou ainda os neuróticos históricos, com propostas populistas de que o Estado tem um poder infinito de fazer a inclusão de todos e trazer conforto material sem qualquer necessidade de esforço individual. Trata-se meramente da mágica de apropriar-se de recursos, geralmente de um inimigo imaginário comum, os participantes de uma pretensa burguesia (os ricos, as oligarquias, empresários) e dividir bondades a todos, sem limites.

Para os populistas perversos manterem o discurso fantasioso, qualquer forma de castração deve ser evitada no discurso. Responsabilidade fiscal, déficit público, aumento de impostos (salvo aos burgueses), contração dos gastos gera insatisfação e logo, deve ser evitada ou maquiada a qualquer custo.

Quando se chega à insustentabilidade do Estado, porque não há mais recursos, culpa-se os inimigos externos, internos e a oposição liberal, que virá com propostas de castração, para reorganizar as finanças do Estado, aos limites do possível, geralmente indigesto e obtido por medidas amargas. Isso será o suficiente para direcionar a massa contra tais pessoas "politicamente incorretas", que só visariam acabam por direitos sociais, dentro de uma pretensa lógica de que não se admitem retrocessos em tais prerrogativas adquiridas, mesmo que elas nunca tenham sido efetivamente sustentáveis. Logo, tais "castradores" do "Estado sem limites" serão rotulados de pessoas maldosas, fascistas, sem coração e, logo, perante as quais se justificaria qualquer forma de agressão, ações histriônicas, censura e contraposição.

O que mais preocupa neste padrão estabelecido, está na capacidade dos perversos manipularem para além dos psicóticos, ao obter o controle narrativo dos neuróticos histéricos que, por possuírem estruturas morais mais avançadas, em termos emocionais e mentais, deveriam ter maior capacidade crítica de filtragem entre a fantasia sugerida e a realidade apurada por dados objetivos. Logo, maduros o suficiente para manter a égide da individualidade adulta, a não aderir em bloco à ideologia discursiva integral de qualquer grupo, seja de esquerda ou direita.

Para Freud, a capacidade de diferir entre fantasia e realidade é o melhor balizador da saúde mental do indivíduo e do desenvolvimento de sua estrutura da personalidade, ao apontar sua capacidade de lidar com o real (Ego), sem ser afetado por seus desejos inconscientes (Ide), de maneira dominante e sem freios, como acontece na maior parte dos psicóticos.

Em neuróticos histéricos, seria normal uma derivação às demandas do Ide, mas de forma balanceada pelo Superego (juízo moral), de tal maneira que a realidade sobreponha-se à fantasia, sem que se perca sua necessidade de realizar-se pelo prazer sensitivo, com flexibilidade comunicacional e relacional, características dessas estruturas.

Mas não é isso que se observa aos histéricos captados pela manipulação perversa do politicamente correto. Tornam-se excessivos censores, ultrassensíveis, e "mimizentos", com histrionismos de todos os tipos, a quem lhes apresenta castrações sociais necessárias à vida em sociedade, como se limites do mundo real e dos recursos públicos e aos que divergem, como se aplicação da fantasia ideológica introjetada fosse algo perfeito. Quando não dá certo, volta à tona a fuga discursiva de projetar externamente os erros e impossibilidades das fantasias sociais adquiridas. Vivem assim, em negação (defesa do ego), reafirmando de boca em boca uma retórica fantasiosa fora do real, apenas palavras vazias que os acalmam e geram um alento sofrível, mesmo que isso não tenha comprovação de realidade e precisa ser reafirmado cada vez mais com agressividade. 

No fundo, isto é uma forma de onipotência infantil revivida pelos histéricos, sem que tenham noção clara deste processo com o qual são manipulados e encarcerados mentalmente. Um apego às palavras e aos discursos politicamente corretos à sua volta os aprisiona em suas próprias demandas de realização afetiva (amar e ser amado), uma vez em que manter o conforto da convivência social é importante a si e, divergir, significaria confrontar o grupo social e daí, a quebra do desejo de bem-estar inconsciente.

Para Jung, nesses casos, a única terapêutica é a quebra dos modelos inconscientes estabelecidos, um processo de amadurecimento nem sempre emocionalmente leve a um histórico, mas que requer muita racionalidade para ser colocado em prática, até se chegar a uma individuação possível e terapêutica.

O que está em jogo é a capacidade de avanço da estrutura psíquica do histérico em busca do seu equilíbrio, que estará na aquisição daquilo que lhe falta: traços da personalidade obsessiva, cuja principal característica prazer no cumprimento das regras e de sua realização social ordenada.

Enfim, o caminho da Psicanálise é e sempre será o do indivíduo, de sua busca de libertação, contra qualquer grilhão mental ou imposto por perversos em qualquer nível de realidade. Mas como toda terapia psicanalítica é uma construção individual, um soerguimento a ser obtido no tempo, há que se querer o melhor até mesmo daqueles ainda presos no cárcere do politicamente correto e servem de exércitos aos perversos de plantão. Como repetimos sempre, segue a mais famosa máxima de Freud: "decifra-me ou te devoro." Por enquanto, ainda entre muitos devoradores e devorados em "Terra Brasilis".