Primeiro foi a pesquisa dizendo que 70% dos brasileiros são contra as privatizações, independente das empresas estatais serem deficitárias, sujeitas à corrupção ou a produzir camisinhas ou conteúdos televisivos com zero de audiência. Agora, saiu uma pesquisa dizendo que grande parte dos brasileiros são contra a reforma da previdência. Vamos entender psicanaliticamente o que está por trás disto.
De certo modo, a histeria demonstra uma retenção do indivíduo à sua fase de desenvolvimento edipiano, quando se cabe aos pais, simbolicamente, a figura do provedor e a assunção das responsabilidades ou a imposição delas aos filhos.
Mas quando um adulto releva-se socialmente neste processo de transferência, a projetar na figura do Estado essa busca de um ser provedor da tenra infância edipiana, há algo de imaturo no desenvolvimento psíquico desta sociedade, a ponto de ocasionar uma neurose coletiva.
Ao se adentrar às questões arquetípicas, de fundo religioso, onde se associam a figura do Estado à figura mítica de ser supremo provedor, um "Zeus" sentado em seu trono, a atender todas os conclames de ajuda, emanados de uma população carente, submissa e dependente dessa figura maior.
Não espanta que esse caldo todo resulte numa busca por direitos, sem qualquer correlação com deveres. Quer-se cada vez mais benefícios do Estado Social, sem que avalia corretamente a sustentabilidade dessas concessões de políticos populistas, o impacto financeiro nas contas do Estado.
E, mais importante que tudo isso, tal fantasia histérica de busca pelo pai provedor, não permite o discernimento de quanto vai custar no bolso de todos os brasileiros, em termos de impostos, inflação (imposto indireto) e dívida pública (com juros cada vez mais altos). Num país que já paga 40% em carga tributária, sem índices de países desenvolvidos, isto é um dado preocupante.
Como não existe milagre da multiplicação do dinheiro, o resultado desta histeria é conhecido: caos nas contas públicas. Os mais conscientes, fora deste Matrix histérico, conseguem antecipar as consequências vindouras desta gastança no "cheque especial". Mas como proceder, se há toda uma cultura instalada de dependência estatal, a ponto de gerar uma histeria de resistênca contra quem ouse questionar tal quadro caótico?
Estudar e procurar entender melhor tais problemas, sempre buscando fontes de matrizes econômicas liberais, que estão fora da histeria desenvolvimentista e populista. Depois disso, procurar irradiar, aos poucos e sem imposição, por meio de questionamentos e não de afirmações, sobre a realidade desses assuntos polêmicos.
Por exemplo, perguntar sobre o porquê do Estado manter uma fábrica estatal de camisinhas ou manter uma televisão pública com zero de audiência. Outro exemplo, perguntar se é justo um funcionário público poder se aposentar somente com 10 anos no cargo e antes de completar 60 anos de idade, com salários acima de R$ 20.000,00.
Esse é um movimento lento e que requer paciência e tolerância, pois não se trata apenas de um quadro de ignorância generalizada, mas sim, de questões psíquicas e culturais arraigadas na população. Se isso levou 500 anos para se cristalizar nas mentes dos brasileiros, os progressos havidos até o momento, são rápidos. Uma consciência está em formação e de passo em passo, as coisas tendem a melhorar, com a neurose histérica do pai provedor sendo substituída aos pucos.
