Ludwig von Mises e a Questão das Drogas

Na obra "Intervencionismo: uma análise econômica", Ludwig von Mises faz uma análise sobre a questão das drogas. Talvez seja por isso que muitos conservadores morais e, ao mesmo tempo, liberais econômicos, evitam citar as ideias de Mises, como veremos a seguir nas próprias palavas do aoutor:
"Não é porque existem destilarias que as pessoas bebem uísque; é porque as pessoas bebem uísque que existem destilarias. Podemos deplorar essa realidade. Mas, precisamos compreender que o aprimoramento moral da humanidade não é uma função empresarial. E os empresários não devem ser considerados culpados se aqueles cujo dever específico consiste em aprimorar moralmente a sociedade não conseguiram cumprir sua missão. [...] Assim sendo, numa economia capitalista, produção e consumo são determinados exclusivamente pelo funcionamento do mercado, que é o centro nervoso do sistema." (MISES, 2010, p.23).

"Seria, evidentemente, um erro acreditar que a tutela da autoridade sobre o indivíduo pudesse ficar restrita a questões de saúde; que a autoridade provavelmente se contentaria em proibir ou limitar o uso de substâncias tóxicas, como ópio, morfina, talvez também o álcool e nicotina, mas que fora isso a liberdade individual não seria afetada. Uma vez que se admite que opções individuais de consumo devem ser supervisionadas e restringidas pela autoridade, a expansão desse controle dependerá apenas da autoridade e da opinião pública que a apoia. Torne-se, então, logicamente impossível evitar tendências favoráveis a que o estado proteja todas as atividades do indivíduo. Por que proteger apenas o corpo dos males causados por venenos ou drogas? Por que não proteger também nossa mente e nossa alma de doutrinas e opiniões perigosas, que colocam em risco nossa salvação eterna? Privar o indivíduo da liberdade de consumo logicamente conduz à suspensão de todas as liberdades." 
(MISES, 2010, p.30).

Aparece certo a opinião de Mises sobre qualquer tipo de limitação da liberdade de consumo substâncias. Para ele, quando o Estado limita a liberdade individual ele estará ampliando seu espaço de intervenção na vida privada e isto não pode acontecer.

Por outro lado, segundo as regras básica da economia, as pessoas buscam determinados tipos de drogas e daí, uma oferta surge empresarial, independente de se qualificar esse mercado enquanto "ilegal" e logo, sujeito a estimular o surgimento de uma estrutura paralela de empresários (crime organizado).

Concluindo sobre o assunto, para o autor, aprimoramento moral não é uma questão econômica, mas sim, algo que deveria ser colocado em prática por quem se intitula seus responsáveis por tanto e falharam neste sentido: os conservadores moralistas.

"Os reformistas cristãos e alguns representantes de uma reformar social baseada na ética acreditam que uma consciência moral e religiosa deva orientar as 'boas' pessoas também no campo econômico". (MISES, 2010, p.31). 

Está assente que Mises afasta-se dos conversadores morais, com os quais não concorda, ao se tratar do campo das liberdades individuais, apesar de eles, pelo contrário, tentarem estabelecer uma relação possível entre sua moralidade religiosa e a economia de um país, desde a liberdade econômica dos demais, logicamente sofre as restrições autoritárias que sua fé defende.