O Brasil não é o país do futuro. É o país do passado!

O inconsciente coletivo de território colonizado é notório na cultura brasileira. Desde a bandeira, onde se ressaltam as riquezas naturais a serem exploradas, até o lema da "Ordem e Progresso", de natureza positivista, de apropriação das riquezas havidas. A noção de ordem estabelecida não passa de um privilégio patrimonialista daqueles que se rogam na autoridade de apropriar-se do Estado e assim, garantir somente para si, o progresso contínuo em detrimento da desigualdade que produzem.
Como isso vem desde a descoberta do Brasil, a existência de um "estamento burocrático" que se perpetua e se alimenta das riquezas nacionais, também perpetuando a desigualdade, não é algo novo. Esta descrito na obra "Os Donos do Poder", de Raimundo Faoro. Nesta obra se destaca também a questão da corrupção, outro meio perverso de parte do "estamento burocrático" se apropriar dos recursos do Estado.

Longe de achar que isso vai acabar, enquanto grande parte da população defender o modelo existente de Estado, acaba-se por chegar à triste constatação de que, uma vez mantido tal quadro de distribuição das riquezas, que é feito pelo Estado ao recolher compulsoriamente os tributos, o Brasil sempre será um "país do passado".

Passado porque o estamento burocrático de hoje, além de requerer para si, deve também a todos aqueles do passado, cujas gordas aposentadorias, muito acima dos valores obtidos por quem se aposenta pela iniciativa privada, são defendidos por aqueles que também as querem no futuro.

O custo de tudo isso é uma alta carga de impostos em um país em desenvolvimento, sem que tal arrecadação reverta-se em prol da população com serviços essenciais, já que grande parte é drenada ao pagamento do estamento burocrático.

Paga-se muito em tributos, recebe-se muito pouco em retorno do Estado, em termos de qualidade. Enquanto isso, o estamento burocrático segue com seus benefícios, privilégios e garantias muito além do que qualquer trabalhador ou empresario tem na iniciativa privada.

Logo, como pode haver desenvolvimento, progresso e redução da desigualdade, se até governos ditos "sociais", acabam subservientes ao "estamento burocrático", por medo de confrontar uma parcela pequena, mas engajada da população na defesa de seus próprios benefícios?

Lidar com o inconsciente coletivo talvez seja algo mais desafiador do que lidar com o inconsciente individual, uma vez que, ninguém consegue fugir de si mesmo, porém, ser escapista e cordeiro perante a realidade injusta e desigual brasileira, é um dom do "brasileiro cordial", também retratado na obra "Raízes do Brasil", de Sérgio Buarque de Holanda.  

Obs: estatísticas dizem que cada jovem brasileiro devem hoje, per capita, R$ 110.000,00, para garantir a aposentadoria do estamento burocrático do futuro próximo.