Sempre vamos repisar aqui um conceito importante da psicanálise freudiana: a neurose está nos polos, nos extremos. Ou seja, nos excessos inconscientes ao Superego (instância mental do controle moral), ou ao seu oposto, o Ide (instância mental da realização do prazer). Se observarmos todas aqueles retidos na extrema esquerda ou na extrema direita, veremos claramente em quais dos flancos neuróticos da consciência, eles se encontram retidos mentalmente.
Observem que este ensaio trata apenas dos radicalismos pois, sem eles, não haveria os currais mentais, como explicaremos mais a frente. Um individuo mentalmente em equilíbrio, com seu discernimento livre e ponderado, tenderá a não sofrer as dualidades e os maniqueismos decorrentes deste processo neurótico de retenção da mente aos polos inconscientes.
Ou seja, aquela pessoa a possuir um Ego saudável (instância consciente da mente), terá capacidade de fazer as melhores avaliações das ideias e das concepções ideológicas e políticas existentes, com as quais sopesará suas próprias convicções, sem seguir qualquer manada ou pensamento pronto.
Nesse sentido, quando se observam pessoas vincadas em ideais de extrema esquerda ou extrema direita, poderá ser verificado deficiências de estruturação da personalidade em seu aparelho psíquico, cujo desfecho é a radicalização e a compra de pacotes prontos de ideologias, geralmente colocando-se agressivamente em oposição ao outro polo, o qual identifica enquanto inimigo social.
Tais prisões mentais, ou currais, são retroalimentadas lado a lado, a partir de cada um dos grupos nos polos respectivos. Esta é uma estratégia de controle mental utilizada desde tempos imemoriais, quando ainda não se tinha noção clara destes mecanismos psíquicos, porém, com resultados adequados a quem deseja manter o domínio sobre as pessoas psiquicamente mais fragilizadas. Ela é atribuída a Lao-tsé, ou ainda, a Maquiavel.
Na prática, faça uma constatação, escolha alguma personalidade pública destacada, com demonstrações claras de seu radicalismo à esquerda ou direita e poderá observar como eles aderem completamente aos lemas, discursos e bandeiras dos coletivismos para os quais se voltam. Geralmente, de maneira diametralmente oposta ao grupo do outro polo, se sequer discutir ou aprofundar sua própria razoabilidade e individualidade sobre o assunto: é extremamente a favor ou radicalmente contra algo conforme a ideologia do curral escolhido.
Por exemplo, nesta dialética das oposições:
Tema
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Esquerdistas
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Direitistas
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Aborto
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A favor
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Contra
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Armas (posse e porte)
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Contra
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A favor
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Drogas (posse e comércio)
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A favor
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Contra
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| Golpe Militar de 1964 |
Contra
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A favor
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| Liberdades Afetivas |
A favor
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Contra
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Liberdades Econômicas
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Contra
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A favor
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Nestas dialéticas excludentes poderá ser observado um posicionamento imediato e assertivo por parte dos radicais. Não há uma moderação de pensamentos, a ponto de estabelecer um raciocínio complexo sobre tais questões, sem adentrar ao contexto emocional, com a colocação individual (empatia) sobre as situações reais, peculiaridades, dilemas, efeitos e consequências no mundo real.
Esta abstração ideológica de curral reflete a imaturidade psíquica deste indivíduo, cuja saída pelo extremismo é sua válvula de escape para um mundo no qual tem dificuldades com o outro e as frustrações naturais das diferenças. Tal mecanismo coletivista é até admissível ao período de desenvolvimento da adolescência (ao esquerdismo) ou mais tarde, na terceira idade (ao direitismo), por suas fragilidades psíquicas inerentes, porém, dissonante e inadequado, quando se observam jovens adultos e adultos, no período de maior discernimento psíquico da vida.
Se você faz parte de um destes currais mentais, o ideal é ponderar sobre essa sua condição humana de fragilidade, a ponto de aderir cegamente a um extremismo coletivista. Faça sua própria avaliação, a partir de leituras de outras fontes, especialmente contrárias aos seus pensamentos extremados. Coloque o respeito à liberdade, a autonomia e o direito à individualidade dos demais acima de sua necessidade de controle alheio.
Entretanto, não há muito o que se esperar de quem imaturamente preso aos polos mentais. Nesse sentido, aos mais maduros, resta o dever de mediar e chamar ao discernimento psíquico dia após dia, para fins de equilibrar as forças dentro da sociedade cada vez mais radicalizada e coletivista.
Entretanto, não há muito o que se esperar de quem imaturamente preso aos polos mentais. Nesse sentido, aos mais maduros, resta o dever de mediar e chamar ao discernimento psíquico dia após dia, para fins de equilibrar as forças dentro da sociedade cada vez mais radicalizada e coletivista.

