Dentro de uma análise psicanalítica, não causaria diferenças sociais destrutivas, ter convicções mais à direita ou à esquerda. A tendência, em sociedades democráticas, flutua por uma alternância de poder, com tais diferenças complementando-se pouco a pouco, entre governos mais à esquerda ou mais à direita, desde que tenham o centro enquanto base de sustentação.
Tal base ao centro deve ser entendida pela estabilidade das instituições democráticas, órgãos da sociedade civil e do Estado, responsáveis por manter as regras e o funcionamento regular da economia, independentemente da tendência ideológica do governo escolhido para aquele mandato. Assim desenvolve no tempo qualquer nação em equilíbrio existencial.
O Judiciário, enquanto instituição democrática, tem a função de impor a Jurisdição, ou seja, a aplicação das regras e a punição por sua quebra. Dentro deste raciocínio, espera-se um processo racional estabelecido, neutro e ancorado em garantias fundamentais que, uma vez cumprido, abra espaço à aplicação da coerção estatal por meio da sanção (pena), devidamente sentenciada e confirmada em juízo recursal. Trata-se do chamado "duplo grau de jurisdição".
Este não é somente o modelo vencedor na história, como também é o que obteve melhores resultados em termos de realização do chamado Estado Democrático de Direito, para fins pacificadores, em países onde a liberdade e a responsabilidade pelas ações humanas estão acima de opções ideológicas.
No fundo de tudo, esta a chamada medida civilizatória, ou seja, a capacidade do Estado impor limites democráticos aos seus cidadãos, de modo que todos possam fazer as melhores escolhas possíveis, respeitados o espaço de realização existencial dos demais indivíduos. Civilidade, neste sentido, antes de tudo é a introjeção de limites por meio de regras, o que, para um indivíduo mentalmente saudável, independe dele fazer opções à esquerda ou à direita do espectro político-ideológico.
Sujeito de direitos é antes de tudo aquele que se sujeita à regra, para que dela, dentro de uma coletividade, possa receber prerrogativas na medida em que também às assegura aos demais, por uma regra ética aristotélica focada na equidade, ponderação, prudência, reciprocidade e alteridade.
Sem assunção de limites, aquilo que a Psicanálise chama-se de castração, resta ao indivíduo uma existência marginal. Ou seja, uma escolha de realizar-se marginalmente ao processo civilizatório, colocando seu desejo acima das regras, o que implica diretamente na quebra dos limites.
Sem limites os civilizatórios introjetados, o indivíduo, na busca de prazer desmedido, adentra às chamadas perversões existenciais, sintomas da psicopatia, paranoia ou histeria de sua psique. Quem só quer prazeres (direitos) sem limites (deveres), tem a sintomática clara desta forma de "psicose revolucionária", uma fantasia disruptiva que levará a si e outras pessoas à sua volta à destruição.
Daí se chegam aos chamados extremismos, radicalismos e todas as formas de excesso da ação humana, que só ocorrem porque os limites civilizatórios são rompidos ou negados, ou até justificados por meio de sofismas a encobrir as reais pulsões de morte dessas consciências. Surgem assim, as chamadas mentes revolucionárias, cujo foco estará sempre em romper os limites e as regras para impor aos demais seus desejos autoritários, com suas velhas armas conhecidas: promover o caos social, a corrupção do Estado e o incentivo à criminalidade.
Conforme já havia estudado Hobbes, com a quebra dos limites, ressurge o estado da natureza, onde cada qual busca sua satisfação ou sobrevivência e a guerra de todos contra todos é restabelecida neste abalo civilizatório. Situações extremistas assim podem hoje ser bem observadas na Venezuela, onde as boas intenções governamentais deram espaço à uma ditadura opressora sem precedentes.
Isto dever servir de alerta a todos, sejam de esquerda ou de direita, de que dar voz ao um processo revolucionário de quebra das regras civilizatórias não é somente uma irresponsabilidade histórica, mas um ato perverso determinado, fundado em pulsões de morte que, por vezes, nem seus próprios defensores extremistas sabem onde vão parar em termos destrutivos.
O difícil de entender é como algumas pessoas mais conscientes, dotadas de pulsão de vida, positivas e construtivas, ainda escolhem silenciar-se nessas horas em que estão em jogo suas próprias vidas, realizações, famílias e organização social. Acovardam-se mentalmente em seus egoísmos, como se isto fosse o suficiente para evitar a disrupção em curso. Escolhem a saída mais fácil de evitar o confronto necessário de ideias na sociedade, para se acomodar na ilusão de que o pior não ocorrerá, sendo que este é exatamente o caminho submisso esperado por quem quer impor a sua servidão.
O difícil de entender é como algumas pessoas mais conscientes, dotadas de pulsão de vida, positivas e construtivas, ainda escolhem silenciar-se nessas horas em que estão em jogo suas próprias vidas, realizações, famílias e organização social. Acovardam-se mentalmente em seus egoísmos, como se isto fosse o suficiente para evitar a disrupção em curso. Escolhem a saída mais fácil de evitar o confronto necessário de ideias na sociedade, para se acomodar na ilusão de que o pior não ocorrerá, sendo que este é exatamente o caminho submisso esperado por quem quer impor a sua servidão.
Em Psicanálise Jurídica, cuja missão é a de evitar conflitos, mitigar seus efeitos ou resolvê-los, a profilaxia, a previsão e a evitação dessas escolhas sociais doentias deve a guia racional do discernimento. Limites são essenciais em qualquer processo civilizatório de todas as sociedades, seja você de tendência à esquerda ou direita.
Logo, é dever racional de todos os cidadãos em equilíbrio mental, sejam de esquerda ou da direita, exigir a imposição dos limites civilizatórios, a manutenção as instituições democráticas e das regras estabelecidas previamente, sem as quais, restaria o caminho aberto ao extremismo e ao caos social. No atual estágio de desenvolvimento da humanidade, não se pode admitir que o retorno ao estado natural de guerra de todos contra todos.
A supremacia do discernimento civilizatório da maioria das pessoas é que deve prevalecer. Política é a ciência do possível, da alternância do poder e da mediação dos diferentes feixes sociais divergentes. Aliada às bases sólidas de instituições democráticas e cumprimento das regras, representam o único caminho a seguir, onde a paz social e o bem comum estejam pela frente, seja você de esquerda, de centro ou de direita.
Logo, é dever racional de todos os cidadãos em equilíbrio mental, sejam de esquerda ou da direita, exigir a imposição dos limites civilizatórios, a manutenção as instituições democráticas e das regras estabelecidas previamente, sem as quais, restaria o caminho aberto ao extremismo e ao caos social. No atual estágio de desenvolvimento da humanidade, não se pode admitir que o retorno ao estado natural de guerra de todos contra todos.
A supremacia do discernimento civilizatório da maioria das pessoas é que deve prevalecer. Política é a ciência do possível, da alternância do poder e da mediação dos diferentes feixes sociais divergentes. Aliada às bases sólidas de instituições democráticas e cumprimento das regras, representam o único caminho a seguir, onde a paz social e o bem comum estejam pela frente, seja você de esquerda, de centro ou de direita.
