Mentes Revolucionárias X Mentes Maduras

A pior pulsão de morte das massas impensantes está na fantasia revolucionária. Romanticamente idealizada em novelas, filmes e contos (do vigário), tais revoluções apenas refletem o desejo destrutivo de quebra do contrato social, numa guerra aberta de todos contra todos. Nas mentes revolucionárias, a quebra da paz social é algo cotidiano, seja por meio do desrespeito regras internas ou externas, seus mundos internos estão em constante caos mental. Enquanto tais atos redundam em consequências limitadas, em termos de autodestruição, o problema cinge-se a questões psiquiátricas. O desafio maior ocorre quando os comportamentos de catarse das massas abrem brechas e voz às mentes revolucionárias, com a manada aderindo a seus delírios destrutivos. Quanto isto acontece, os riscos sociais são grandes e, em caso de escalada da destruição social, uma nova ordem será requerida e imposta à força, servindo de superego à manada e de punição direta aos transtornados revolucionários.

   
Quantas não foram as vezes na história da humanidade que os transtornados revolucionários conseguiram canalizar a insatisfação das massas impensantes e, assim, trouxerem o caos e a destruição social à tona, com mortes, perdas de vidas e prejuízos generalizáveis a todos.

Mentes revolucionárias são transtornados de todos os tipos, especialmente borderlines, paranoicos e psicopatas. Estes tipos psiquiátricos estão no cerne de todo os processos disruptivos, movidos em seus desejos destrutivos, de pulsão de morte.

Toda revolução é uma forma de destruição e de caos, que remete a um ato certeiro que se segue, no retorno do pêndulo da força. Se as forças disruptivas levaram ao caos, depois de seu pico, uma nova energia social emerge, com toda a força em contrário, sinalizando uma nova ordem repressora o suficiente para aniquilar com a revolução.

Em Leviatã, Hobbes demonstra claramente como a guerra civil de todos contra todos, retorna o indivíduo ao estado da natureza, de pleno IDE, onde tudo pode demandar, porém, onde nada pode manter para si, já que também será demandado por outros.

Daí a saída da maioria não revolucionária a pedir mais ordem, mesmo que o preço dela seja a do autoritarismo e da perda da liberdade. Quando este estágio é atingido, onde foram parar as mentes revolucionárias e perturbadas? Retornaram aos tratamentos psiquiátricos e ao seu submundo de quebra das regras, o que não surpreende.

O que surpreende é a forma como o comportamento de manada contaminou as massas impensantes e permitiu que as coisas caminhassem para tal nível de disrupção, nunca pensado ou querido por elas, em são consciência. Aqui fica evidente o perigo das catarses de justiciamento, quando a ignorância conduz a respostas lineares aos problemas sociais, levando ignorantes e inocentes a aderirem à mentalidade revolucionária.

Se há uma conjuntura insatisfatória perante a sociedade e o Estado, não haverá somente uma causa ou um responsável. Muitas vezes, no conjunto da obra, o próprio insatisfeito é responsável por sua desgraça, a partir de decisões pretéritas equivocadas, mas perante as quais ele não assume, não entende ou não coloca seu discernimento para tanto.

Sempre é mais fácil retirar as pressões internas na alocação e projeção das responsabilidades em figuras externas. Tal mecanismo psicológico retira as pressões internas, mesmo que, ao exteriorizá-las, não signifique colaboração nenhuma para a modificação da realidade insatisfatória.

Mentes em equilíbrio, ao contrário das revolucionárias, são mentes já amadurecidas, que abandonaram suas defesas pueris e passaram a ver a realidade com uma lupa menos fantasiosa. Uma das características essenciais das mentes já amadurecidas está na presença do ceticismo, na forma como observam com desconfiança as ocorrências do mundo e reagem. Nunca de maneira impulsiva, mentes maduras sabem da matriz complexa dos problemas sociais e vão buscar colaborar na modificação das causas. Logo, não caíram ou saíram rapidamente das histerias sociais e catarses da moda. 

Mentes adultas procurarão sempre a prudência e a moderação em suas ações. Prudência no sentido de aplicar o ceticismo antes de tomar qualquer decisão e, depois, moderação, no sentido de se afastar dos extremos radicais, onde justamente estão posicionadas as mentes revolucionárias.

Ou as mentes maduras fazem uma opção ao controle dos caminhos da sociedade, ou deixa-se as mentes revolucionárias preparem o berço de uma futura ditadura da ordem. A escolha é sua, haja com prudência, seja cético com tudo o que ver pela frente e modere-se ante aos extremos. Está é a única saída que reserva saúde mental ou, para as demais mentes maduras, sinalizará a sua saúde mental.