A história da humanidade é repleto de exemplos onde a escolha da população levou aquela determinada sociedade à sua destruição. Não são poucos os casos onde a soma dos desejos individuais, a formar o inconsciente coletivo das massas, desviou das melhores opções, em prol de aventuras revolucionárias, cujo fim sempre fora o mesmo: o caminho da destruição.
Talvez seja difícil entender como uma pessoa, que em seu juízo individual jamais tomaria certo caminho à destruição, o faz quando em ação coletiva, a partir de um frenesi hipnótico, capaz de conduzir sua consciência ao nível de inconsciência e adesão (in)voluntária às piores escolhas.
Quando se fala em um direito libertário, o paradoxo das escolhas e sua responsabilidade deve vir à tona. Desse modo, mesmo que individualmente a pessoa até não gostaria de seguir aquela toada, uma vez que adere ao movimento, silencia-se e omite-se de contrariar o fluxo, ela passa a fazer parte não só do rol dos responsáveis, mas também, do rol dos que deverão sofrer as consequências dessas más escolhas.
Surge aqui a questão do direito à expiação, enquanto máxima a partir do binômio "liberdade x responsabilidade". Ou seja, uma vez que se faz o uso da liberdade individual, na escolha de um determinado caminho destrutivo, caberá à pessoa à expiação pela escolha realizada, não cabendo qualquer forma de atenuação no julgo e na força das vivências colhidas, conforme sua opção realizada.
Dentro de um contexto espiritualista, seria uma forma de Karma, da colheita, da ação e da reação, dos efeitos esperados, coisa que deve ser arcada por quem faz tal escolha, mesmo que não tenha consciência absoluta de seus efeitos vindouros.
A expiação, neste sentido, espiritualista, é uma forma de aprendizado, uma forma de se absorver o entendimento das ocorrências de suas escolhas, afim de introjetar na consciência o contexto da responsabilidade existencial por seus atos, de maneira efetiva e permanente.
Logo, é importante que sejam colocadas à mesa as eventuais consequências de eventuais e incorretas escolhas sociais. Uma vez feitas e permitidas pela maioria da população, a ela deve ser diretamente atribuída a responsabilidade por suas consequências, sem reduções ou atenuantes.
Trata-se de uma forma clara de colocar em prática a questão da "liberdade x responsabilidade", pois além da questão da aprendizagem, há também na expiação o dever futuro de purificação, de arcar com alguma forma compensatória da culpa até se assumir os deveres na ação reparação do ocorrido.
Portanto, o direito à expiação não se trata somente de aprendizagem no médio prazo, mas também do nascimento de um dever de longo prazo de recompor o ocorrido, especialmente perante aqueles cuja ação foi claramente no sentido de se evitar o pior, a destruição antevista.
De tempos em tempos, massas impensantes são movidas a tais caminhos destrutivos e isso não será novidade no curso da história humana. A novidade está na sua imediata responsabilização por tais ocorrências, estabelecendo-se o imediato liame causal entre o uso de sua liberdade de escolha e o que virá a seguir, em termos de destruição social.
Ouça agora nossa aula em áudio sobre o assunto:
https://soundcloud.com/psicanalise-juridica/existiria-um-direito-a
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