Quando chega a época das eleições, especialmente na reta da campanha, aparece uma figura caricata dos tempos de redes digitais: o torcedor presidencial. Geralmente é o mesmo tipo daquele que tira a camiseta verde e amarela do guarda roupa para torcer na Copa do Mundo e dizer o clichê de sempre: "sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". A diferença do torcedor presidencial para o torcedor futebolístico, está apenas na escolha do time (candidato) do coração.
Existe uma diferença clara entre o torcedor eleitoral e o eleitor. Eleitor é toda pessoa maior de 16 anos, habilitada ao exercício do sufrágio eleitoral no pleito vindouro. Eleitor faz suas escolhas, analisa e decide pele melhor para si, sua família, vai votar e guarda para si e para seus próximos, sua escolha. Se você é eleitor, desculpe, esse texto crítico não é sobre você.
Você não seria um torcedor presidencial. Torcedores presidenciais são eleitores que precisam exaltar suas emoções. Como adolescentes que são, tardios ou não, precisam sentir a campanha, aderir de coração e alma a seu candidato, aos grupos e pessoas também nessa "onda".
Torcedores eleitorais não levam em consideração que Política é a "ciência do possível" onde, por si só, a única coisa garantida no pós-pleito são as frustrações advindas das promessas que não poderão ser cumpridas. Falta-lhes a racionalidade de que, muitas vezes, não há como se eleger o melhor, mas sim, faz-se o desforço para que se eleja o "menos pior", dentro de um conjunto de variáveis de realidade.
Torcedores eleitorais não levam em consideração que Política é a "ciência do possível" onde, por si só, a única coisa garantida no pós-pleito são as frustrações advindas das promessas que não poderão ser cumpridas. Falta-lhes a racionalidade de que, muitas vezes, não há como se eleger o melhor, mas sim, faz-se o desforço para que se eleja o "menos pior", dentro de um conjunto de variáveis de realidade.
Se você se emociona com eleições, seu discernimento estará reduzido em sua escolha. Quem precisa da certeza íntima de que escolheu o melhor dos melhores, acaba por demonstrar sua insegurança ao buscar confirmação e aceitação em outros torcedores presidenciais, com os quais estabelece algum tipo de pacto de torcida, a seguir cegamente seu escolhido. Falta-lhes a prudência e o ceticismo necessário, a entender que políticos sozinhos não vão resolver o problema de uma nação.
Tais almas pueris, por coincidência, são as mesmas que desaparecem das discussões políticas nos anos não eleitorais. Nessas épocas, somem ou só postam nas redes sociais fotos com florzinhas, cachorrinhos, coisas bonitinhas, frases, turismo e momentos especiais, tudo para garantir alguma aceitação em forma de curtidas na sua "safe zone" tradicional.
Falar de Política, nesses momentos "of season", além de ser algo desinteressante aos torcedores presidenciais, também é algo que lhe coloca em risco perante a aceitação dos demais. Isto ocorre porque falar da realidade no Brasil é discorrer sobre problemas, erros, crises, coisas não muito fofas para quem precisa de aceitação emocional.
Há adolescentes de todas as idades, e isso parece ser algo cada vez mais recorrente. Quanto mais crítica a vida social, mais tempo se leva à adultidade no Brasil. Daí um paradoxo interessante. Não deveria ser o contrário? Quanto mais crítica, mas rapidamente o indivíduo deveria amadurecer e individualizar-se para enfrentar o mundo à sua frente? Culpa de pais superprotetores?
Amadurecer, a priori, significa entender que a Política real (com "P" maiúsculo), não é aquela das eleições. Esta é apenas a parte fácil para o eleitor. Fazer Política é você assumir dia a dia, mês a mês, ano a ano, o acompanhamento, o debate crítico e a admoestação dos políticos eleitos (inclusive os seus candidatos).
Dificilmente os torcedores presidenciais entenderem esse papel cidadã que vai além do voto. Não o entendem porque tudo se resume a viver a onda do momento. Feita sua mínima contribuição cívica, acham-na grandiosa. Depois disso, as desventuras nacionais serão lamentadas, colocando-se a responsabilidade pelas crises em projeções externas, geralmente nem lembram em quem votaram para deputado, cargos também de tamanha importância.
O mais enfadonho está em ter que aguentar publicamente essa falta de noção, o destempero, a invasão da privacidade alheia, os especialistas eleitorais ungidos do nada, a tentativa de cooptação de votos como se tudo não passasse de uma mera escolha do time. Aliado a isso, ainda consta o baixo nível intelectual dos torcedores presidenciais mais afoitos e suas convicções agressivas, fundadas em meras suposições do futuro, que mais afastam do que aproximam.
Se você se identificou enquanto um torcedor presidencial, há que se entender o seguinte. Primeiro, nem todo mundo tem paciência, interesse ou quer saber de sua torcida. Segundo, sua escolha, do que é melhor para você, não necessariamente é o melhor para os outros. Aprenda a respeitar a opinião alheia e evitar debates agressivos que não levam a nada. Espaços onde impera a neutralidade, geralmente são assim exatamente porque ali, opiniões políticas não são desejadas. Lembre-se que páginas e perfis virtuais são propriedades privadas, se você não for convidado a se manifestar nelas, será considerado um invasor, um agressor digital.
Feito isso, faça sua torcida, chore, ria, indigne-se e, depois da eleição, guarde suas emoções até a próxima campanha pois, na real, ninguém está nem aí para o que você pensa. Seu grupo de apoio mútuo também será desfeito assim que terminar o pleito.
Obs: se quer realmente colaborar, amadureça e comece a estudar, compreenda e tente entender como a Política realmente funciona, pois a barafunda política brasileira é desalentadora. Daí, levante a cabeça e comece a colaborar nessa luta de "sabiá apagando fogo da floresta", para que algo possa, quem sabe num futuro distante, ser realmente melhor a partir de uma ação coletiva discernida e, não mais, futebolística.
Obs: se quer realmente colaborar, amadureça e comece a estudar, compreenda e tente entender como a Política realmente funciona, pois a barafunda política brasileira é desalentadora. Daí, levante a cabeça e comece a colaborar nessa luta de "sabiá apagando fogo da floresta", para que algo possa, quem sabe num futuro distante, ser realmente melhor a partir de uma ação coletiva discernida e, não mais, futebolística.
