Violência Doméstica e a Questão da Dissuasão do Armamento

Jonh Lott Jr, em suas duas famosas obras sobre o assunto, "Mais armas, menos crimes" e "Preconceito contra as Armas", depois de uma ampla pesquisa estatística por mais de uma década nos EUA, verificou como o acesso às armas, especialmente às pessoas mais vulneráveis, acaba por servir como um fator inibidor da violência.
Parece e é paradoxal o fato de que a presença de mais armas acabe por provocar exatamente a redução dos níveis de violência. Isso ocorre exatamente porque a o perverso ou o psicopata, inclinado à agressão alheia, irá tolher sua ação quando perceber que há o risco dele também sofrer uma resposta a altura de seus atos.

Na economia mental do crime, como descreve Jonh Lott Jr, o criminoso, ao perceber um cenário onde potencialmente várias pessoas possuam armas, irá optar por outros comportamentos criminosos de maneira a evitar o contato pessoal. Com o tempo, foi exatamente isto que comprovaram as estatísticas americanas, nos estados federados onde o porte de arma foi permitido à população.

Nesses locais, houve um abrandamento de crimes de contrato, com violência direta sobre a pessoa (roubos, estupros, lesões), enquanto por outro foram intensificados os crimes de não contato (furto, estelionatos).

Mas além da questão da avaliação mental do criminoso, que opta por realizar crimes menos violentos, exatamente porque sabe do risco de receber imediatamente "o troco", há um outro argumento importante a ser observado aqui, especialmente ao se tratar da temática dos crimes de "violência doméstica": a dissuasão provocada pelo armamento.

Especialmente na violência doméstica, o uso da força a maior do agressor sobre o outro parceiro, geralmente é o balizador dos quadros graves, onde há os casos de escalada e persistência contínua de agressão, muitas vezes sujeitos até a desfechos trágicos, como se observa diariamente na mídia.

A dissuasão nesse sentido, não vem quando o quadro de agressões já está instalado, sendo um erro achar que a introdução de um armamento neste momento em que a escalada da violência já existe no casal, possa equilibrar o jogo de forças. Pode até ser usado como um corte definitivo, para afastar de vez o agressor, mas quantos não são os casos onde a vítima acaba por retornar à relação.

A dissuasão deve ser prévia, pois ela visa estruturar-se de maneira inconsciente naquele casal. Ou seja, ela deve ter lugar antes da consecução psíquica do relacionamento. Nesse sentido, ela servirá não só para afastar os eventuais perversos agressivos, que verão ali um risco potencial futuro, mas também, delimitarão desde o início do relacionamento certos limites de respeito a serem observados, naquela relação.

Tente imaginar a seguinte situação, um potencial agressor com personalidade perversa, conhecendo duas mulheres, uma que possui armamento e a outra não, qual ele terá mais direcionamento?

Por outro lado, no campo da Psicologia Sistêmica Familiar, há muito se sabe que o ponto de encontro, ou seja, os primeiros contatos do casal são importantíssimos para a delimitação do que virá no futuro da relação, pois, nesse momento, padrões e regras inconscientes de relacionamento são estabelecidos entre os parceiros.

Se desde esse início é sabido da presença das armas, um potencial agressor irá evitar tal relacionamento, sobre o qual não terá o controle perverso desejado, enquanto que, por outro lado, caso o casal se forme, haverá ali uma forma de tratamento dissuadida, uma fez que a presença da potencial equalização da força se fez presente nessa formação do inconsciente do casal.